terça-feira, 9 de dezembro de 2008

como dói ser
ignorante como eu
sou!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

a minha poesia tem por objetivo alcançar a vibração da energia que se espraia pela humanidade num movimento centrífugo ao mesmo tempo que centrípeto e ainda visa a uma objetivação de novas dicções de forma e estilo sempre valorizando o verbo significativo que derrama o sentimento caudaloso pelo extremo vácuo das almas alienadas por um sistema injusto que dilapida o sentimento como forma única de acasalamento das emoções mundanas...

o meu teatro está caucado na teoria do teatro-pós dramático que observa o ator em cena dentro de um panorama de riqueza de linguagens abordando assim diferentes vertentes de dramatização sem ou com texto sem ou com trilha sem ou com teatro


cláudio cagar em estréia é normal. mas o legal é que não dá pra perceber, e o público gosta. no segundo dia, matei a pau, tanto pro público quanto pra mim. e continuamos lá. sextas e sábados, 23 horas, pé no palco, conselheiro dantas, 20, até dia 6.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

entre mortos e feridos
poemas rotos ou ferinos
anúncios de bares sujos ou grã-finos
blogs cult ou maltrapilhos
quero mesmo é ouvir os
meus ouvidos
saber o que eles dizem
sobre toda a sorte de poesia
ler o que eles leram
na grande sabedoria
atuar como eles atuam
na perfeita dramaturgia
e ao final do dia
quando eu estiver mais informado
vou pisar os pés pesados
numa calçada qualquer de Curitiba
pra ver se encontro um amigo
daqueles da antiga
que me acompanhe
numa conversa camarada
regada à muita água
quero parar de beber o álcool
que me deixa delirante
porque dia 21 tem estréia no palco
e preciso mesmo é estar confiante



by cláudio bettega, em 13.11.2008

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Cláudio em Cena

“Por Trás Todo Mundo é Igual”

Os mitos greco-romanos e suas histórias permeiam há muito o imaginário do ser humano. Até mesmo Sigmund Freud utilizou-se de alguns deles para nominar em seus estudos determinados comportamentos de nossa mente. Pensando nisto, o grupo de teatro TODOMUNDONU trouxe alguns desses mitos para o teatro Pé no Palco, com a direção e supervisão de Alexandre Bonin.
Serão dez mitos encenados de acordo com a criatividade dos atores, que tiveram liberdade para formularem suas cenas. O objetivo foi redimensionar a característica do mito para a existência contemporânea e diária do homem – cada ator pesquisou ao extremo seu mito, tentando avaliar como seria de fato uma figura mítica se comportando como um ser “normal”.
A montagem promete ainda surpresas no Pé no Palco, ambientando cenas em espaços e situações inusitadas, hora com drama, hora com humor. O espetáculo parte ano que vem para o Festival de Curitiba.
O grupo TODOMUNDONU tem três anos de vida e já conta com quase todos os seus integrantes profissionalizados. A primeira montagem foi a peça “Opus”, grande sensação da temporada do Pé no Palco em 2006, que voltou ao cartaz em 2007 e chegou a ganhar o festival de Colombo nas categorias melhor direção e espetáculo. A peça – com texto de autoria do diretor Alexandre Bonin – alinhavava personagens do imaginário de Raul Seixas e suas músicas, chegando a ter a capacidade máxima de público em boa parte das suas apresentações.
No final de 2007, o grupo debruçou-se sobre a obra de João Gilberto Noll, utilizando-se de alguns contos curtos do autor para elaborar o espetáculo “Mínimos Múltiplos Comuns”, que teve grande repercussão tanto no espaço Pé no Palco quanto também no Festival de Curitiba deste ano.


Serviço: “Por Trás Todo Mundo é Igual”
Dias 21,22,28,29 de novembro e 5,6 de dezembro
20 reais e 10(meia entrada)
Pé no Palco: Rua Conselheiro Dantas, 20
Bairro: Rebouças

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Dentro do silêncio
procuro o perdido
tempo
que me faltou
em tempos idos.
Meus olhos
tentam penetrar o
escuro e meus pés,
combalidos,
querem o descanso
merecido.
Me desanimo por
nada encontrar,
solto um grito
indefinido
quebrando o silêncio,
que faz do meu
tempo perdido
um tesouro
protegido.


by cláudio bettega, em 26.12.2006

terça-feira, 28 de outubro de 2008

um POETA
tem que ser
direto
não pode ficar
de treta
o negócio é ter
papo reto
falar de
cara limpa
e palavra inteira
a poesia/verdade
em cima
da pinta
mesmo que da
pior maneira



by cláudio bettega

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Abstrato ser, te idolatro no amanhecer, durante o dia todo e te amo mais no anoitecer. Sua força me mantém vivo, tu és o sol que eu persigo e a lua que quero comigo. Quanto mais te venero, mais me sinto algo vero, mais saio da fluidez e atinjo a rigidez. Meus veios de caminho são encostas do teu carinho, me prego nas tuas costas e não me sinto mais sozinho.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Leva contigo a última palavra
Do amor e magia que te dei dia a dia
Meu consolo é a voz que tu gravas
Neste último momento da nossa alegria.

Ficarei eu aqui, trôpego, a declarar meu desencanto
Aos ventos e poeiras e samambaias e ventarolas
Poeta perdido, armarei meu canto
A fim de declamá-lo na última marola.

Mas se quiseres novamente receber meu carinho
Terás que provar que não estás avessa
A ficar aqui no nosso ninho
E viver o amor dos pés à cabeça.

Desertora que te mostras agora
Penso, no entanto, que nada mais queres
A não ser tomar o rumo de fora
Deste casulo encantado que envolveu nossos seres.


by cláudio bettega, em 21.07.2005

terça-feira, 14 de outubro de 2008

chegou o calor à nossa primavera
quero inebriar-me de pomos suculentos
e colher ipês amarelos em praças e avenidas
o suor de cada êxtase, de cada transe
é um convite a um gole refrescante de envolvimento
não preciso mais dos dias gelados da minha gélida urbe
agora vou curtir teatro até o final de novembro
pisar o pé no palco, no tablado encantado
trabalhar o ator do ator em mim
apreciar meus companheiros, meus colegas de sonhos
na lida abençoada e poética da nossa vida
e agradecer ao público a doce acolhida


by cláudio bettega, em 14.10.2008

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Não quero mais que você me veja
na companhia de um copo de cerveja
sou mais que isso
tenho mais substância
embora esteja perdido na inconstância
Minha vida tomou rumos estranhos
e não sei quais são os verdadeiros ganhos
que possam me submeter
à uma escalada para reverter
o quadro marginal
Mas vou por aí,
tentando fazer pelas estradas
alguma poesia original


by cláudio bettega, em 10.10.2008

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

recebo teu corpo
neste frio
para o meu não ficar
vazio
me tentas
me inventas
me esquentas
com um calor
que é puro frescor
de amor
minh’alma sente a
fina flor do
teu perfume
não há mais nada
que me derrube


by cláudio bettega, em 07.07.2005

quarta-feira, 17 de setembro de 2008


pouso a mão sobre teus pêlos
eriçadas vertentes de desejo
o arrepio corresponde a meus apelos
encantamo-nos sôfregos num doce beijo
a noite ecoa nossos berros
de tesão e força e comunhão
galopes, estocadas, amplidão
o mel de humores nos deleita
dormimos abraçados e apaixonados
mas com alguns latejos à espreita



by cláudio bettega, em 17.09.2008

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Momento Jet Set


Esse é seu Laudelindo Silva. Ele é um dos muitos brasileiros que progrediram no ano passado, diversificando seus negócios, em decorrência das mudanças substanciais empreendidas pelo governo Lula. Seu Laudelindo trabalha como carrinheiro e catava apenas papelão usado nas imediações de lojas no bairro Rebouças, próximo à Vila das Torres, onde mora em Curitiba. Mas o negócio estava dando algum prejuízo porque papelão molha fácil. Então, seu Laudelindo aumentou um pouco sua área geográfica de trabalho, carregando seu carrinho até bairros nobres da capital paranaense, nos quais encontra muitas latinhas de refrigerante e cerveja em lixeiras ou, em sua maioria, nas calçadas (o Curitibano é um povo muito educado). Apesar da lei seca, a quantidade só tem aumentado. Com a transferência de renda e nosso maravilhoso mundo publicitário, pessoas mais aquinhoadas bebem mais refrigerantes, cerveja etc. Juntando 160 latinhas, seu Laudelindo forma um quilo, e por ele ganha 2 reais.
Mas os progressos na qualidade de vida de seu Laudelindo não param por aí. Ele tinha uma dieta apenas à base de carboidratos – comia restos de uma Risoteria perto de casa. Mas como agora ele caminha por bairros nobres, encontra muita carne em lixos de restaurantes refinados, que têm movimento cada vez maior. Assim, seu Laudelindo faz um equilíbrio melhor entre carboidratos e proteínas.
Ouvido pela nossa reportagem, seu Laudelindo se julga um brasileiro consciente de seu papel na maravilhosa economia informal que cresce como enchente no Brasil, dando mostras que é possível, em nosso novo país, enriquecer sem pagar impostos. E provando que as políticas públicas estão dando muito resultado. Bola branca para o governo Lula.

terça-feira, 26 de agosto de 2008



A última neblina da manhã
se apaga
com o sol da realidade
que me esmaga.
Colho uma rosa
esperança rubra
que não paga
nenhum gole cínico
nenhum movimento mórbido.
Zanzeio pelas pragas
órbitas
paragens
e súbito vejo
que novamente anoitece
– rua iluminada
pela lua
que me padece.
Administro novas chagas
num sonho coalhado
de frias
imagens.



by cláudio bettega, em 21.22.26/08/2008

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Poema da amiga Lívia Moura




CRÔNICA POÉTICA

Sabe quando dói no peito e
não tem jeito de suportar?!
É essa a falta que você me faz.
Pois fiquemos nos nossos
encontros de alma, para que,
quando nos vermos seja
completa a dualidade...
E toda essa saudade que
aflige, só ela permite
o poeta falar.
Eu quero corpo e alma.
No corpo, a paixão impera.
Na alma o amor vive...
Mesmo que indefinido,
já é forte...
É tudo o que eu sinto,
mas o que ainda
não tem nome.


segunda-feira, 4 de agosto de 2008



não sei o que mereço da vida
nem sei se a vida me merece

luto contra barreiras, preconceitos, sentimentos difusos
e quanto mais recorro à prece
mais me perco em devaneios confusos

a lama não me esquece
e nela tento achar meus parafusos


em 04.08.2008, by cláudio bettega

terça-feira, 22 de julho de 2008

CAFAJESTE, by bettega

Por que será que as mulheres gostam tanto de cafajeste? O que tem nessa figura tão questionável que deixa uma fêmea em estado latejante, provocando a vazão de seus ácidos que serão lavados depois em baixo da ducha?

Iara, 33 anos. Conheceu Gomes num site de relacionamentos. Conversa vai, conversa vem no msn, Iara recebeu o impulso para seu furor: sou casado.
“Ai. Que cafajeste! Que faz num site de relacionamentos? Procurando mais alguma vagabunda, não está satisfeito com a bosta com que casou?”
Iara queria porque queria ver a foto do desgraçado. Pediu mandar no e-mail.

“Nossa, que lindo. Será ele mesmo? Ai, um tapa dessa mão na minha bunda... no meu rosto, ai! Não quero nem pensar. Isso, pensar não. Quero mais é receber!!”

Resolveu marcar encontro. Cafezinho no centro, quem sabe. Gomes relutou, muito ocupado, talvez semana que vem. Iara foi latejando cada vez mais.

“Sim, homem como esse não dispenso, amiga. Imagine, casado, 44 anos, disse que dois filhos, um menino e uma menina. 44 anos!!!! Totalmente dentro da saúde!!”

Finalmente chegou o dia. Foi com um amigo. Propôs, sem delongas, ménage a trois. Iara enlouqueceu por dentro. Sua calcinha ficou úmidíssima. Mas interpretou indignação. “Pensam que sou o quê?”
“Não pensamos, sabemos o que você é.” Desenhou no ar a mão pronta para o tapa. A mão de Gomes evitou o movimento num aperto. Ela quase resfolegou de tesão. Aquela mão suada, enorme, agarrando seus delicados dedos que tanto a enlouqueciam na eventual intimidade solitária

“Me solta, seu... seu...”

“Diga, isso, diga: cafajeste! Ca-fa-jes-te”

Iara não conseguiu evitar a saliva que escorreu pelo canto da boca trêmula. Foram os três para um Motel na Saldanha Marinho.
“Quatro horas, seis camisinhas.”

Dia seguinte, ainda cansada, Iara encontra a confidente. Diz que ficou louca, não conseguia parar de gozar. Paus enormes, posições todas as possíveis, habilidades únicas. Que marcaram mais pra terça-feira às duas da tarde.

“Quero ir junto.”

Foram os quatro para o mesmo Motel, agora seis horas e doze camisinhas.


Bateram na porta. Muitos berros, incômodo. As duas puseram lençóis na boca. E começaram a mais cavalgar e abrir as pernas a levar dedadas linguadas estocadas loucas ficaram ai meu amor vocês são doidos vem cá Iara quero te lamber também lésbica eu não sabia era sou sim e você é meu tesão ai pintão isso no fundo me tira gosma do cu vídeo? pra quê só vocês nos destroem Iara que buceta doce é tua amor depois te quero ali no banheiro ai ai ai ai mais mais mais...

Iara e a confidente, agora namorada, entraram juntas na internet. Dedo na tecla, dedo nas bucetas, chupa daqui, acha homem gostoso dali, foram fazendo amigos e tinham encontros saudáveis todas as semanas e mais se davam no Motel da Saldanha agora com descontos pro quarto (sempre o mesmo) e fornecimento de graça das camisinhas.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

poemas do brother João Kosak



Se essa rua fosse minha

Admiraste o fato
Que de um beijo
Um agrado,
Pronunciaste mais um ato.
Como ilusão perdida,
como o nú na relva
Conheceste vida,
E entranha-se como ar
Pois propósito fajuto
O nojo para amar,
E quem ousaria e diria
Mesmo de mentira
Que raiaste o dia?
Contudo,
Nem mente insana
Nem homem de fossa e lama
Lhe anunciaria tal absurdo.
E se este é teu,teu sonho!
Agarra- te a ele
Até se perder,
Até... me perder.



Emocionado e emocionante

Rubro amor despercebido
Onde chora o amante
Acre o gosto da discórdia
Ignorância retumbante.
Rica mente chorosaque edifica mirabolâncias
Que bate no peito
Causando- me ânsias.
Trago boas novas:
No seio da mentira
Erradicou- se as mentes nossas.
Trago boas novas:
Que nessa discussão de pessoas
Prefiro parar, e falar com rosas.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

eu precisava ver você agora
eu queria uma bebida forte
e um pouco de sorte
para entender porque a paz foi embora
você some e me some
essa distância me consome
meu pensamentos se alvoroçam
minhas emoções se despedaçam
cada latido de um cão
perdido
é parecido com meu
gemido
minha força já se esvaiu
minha pressão caiu
meus sonhos não sonham mais
nem eu mais conto carneirinhos
para dormir
a realidade por si só
me anestesia
encontro apenas um copo
na madrugada vazia



by cláudio bettega, em 21.08.2005

quarta-feira, 25 de junho de 2008

tua boca
me provoca
convoca para um
beijo
que acenda o
tesão
no meu
coração
amor amplidão
te quero sempre
minha paixão

by cláudio bettega, em tempos idos

Quero que entendas, meu amor, que a mim não me interessa tostão, muito menos um rico quinhão; só quero a poesia incrustrada nos genes do espírito celular. Quero a sabedoria envolvendo nossos corpos, nossas almas, nossa lida, nossa vida. Quero o amor perfeito, elevado à condição de, do bolo, o mais nobre confeito. Enfeito-te com palavras, enfeitas-me com beijos e delícias – juntos somos uma troca infinda de delicadas carícias.

by cláudio bettega, em tempos idos

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Em estrelas diversas, pedaços do meu corpo, em versos, se espalham pelo universo. Meus músculos latejam o latejo da criação inversa ao bombar do sangue imerso em glóbulos de paixão. Quero percorrer todas as quadraturas da poesia fecunda que se possa imaginar. Atingir a semiótica dor do desespero apegado ao primeiro obstáculo que me fascine as tentativas perdidas de um criar que se quer preciso, confiável, oráculo da minha revolução em flor, estratégia do verdadeiro amor.

by cláudio, em tempos idos
derramo fosse porra
neste papel
uma palavra
escrita
uma palavra
escrota
caralha tal
minha pica
suja tal
minha boca
que regurgita
a beleza
da poesia maldita
que regurgita
a merda
da obscenidade
bendita

em 26/28.06.2004, by cláudio bettega

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Meu maior tesão
é te ver cheia
de tesão
por me dar
tesão
Meu maior amor
é te ver cheia de
vontade de me
amar
repleta de amor
Minha única dor
é saber que
vou morrer e
por isso
te perder


by cláudio bettega, em 30.03.2005

segunda-feira, 16 de junho de 2008

minhas hemácias
em chamas
refletem dramas
do inconsciente
sem consciência
minha dor
espalha-se por
tensos músculos
minhas vértebras
espalham-se por
incerta estrutura
não sou
escultura
sou humano
serei espírito
apenas em outro plano


em 05.08.2005, by cláudio bettega


sexta-feira, 13 de junho de 2008

em qualquer minuto
qualquer hora
qualquer voz
amo o amor
que chora
em nós



by cláudio bettega, em 17.07.2005

quarta-feira, 11 de junho de 2008

descarto de cara
de vez
este poema
que mal ainda
se fez
mas sei que
já declara
minha insensatez
meu medo
minha embriaguez
quero uma palavra
forte
que direcione
meu norte
não quero firulas
que só externam
loucuras
amarguras
quero a lucidez
quero a minha
cura

em 09.01.2007, by cláudio bettega
uma célula
do meu espírito
se multiplicou
num cancro
e fez-me adoecer
por toda a eternidade
meu corpo
é uma célula viajante
que se perde
pelo espaço do meu
universo
que só se manifesta
em verso


by cláudio bettega 05.08.2005

segunda-feira, 9 de junho de 2008

me dê a sua dor
sim, me dê todo o seu choro
me recupere os arquivos que você deletou
me lance na cara o cuspe antes de se ajoelhar na privada
me dê a ferida dos leprosos
todo o lixo do aterro da caximba
vamos fazer um jantar com restos de cancros extirpados e merda de rato
quero o cheiro do peido saído de uma bunda imunda
quero todo o lodo formado pela tempestade
não quero mais a lágrima metida a coitadinha que verto
nem bater mais a cabeça no muro das lamentações
quero o grito, o salto, o palco
quero qualquer poesia que o mundo produza
limpa ou suja
quero o escombro, o restolho, os dejetos mas também o
ideal pleno
quero o ar poluído ou puro,
o dia claro ou escuro de nuvens cheias de azia
quero a miscelânea, a coletânea instantânea
quero teu sangue
tua baba
teu pus
teu orgasmo
quero o mijo dos incontinentes
o destempero dos inconseqüentes
a loucura dos dementes
e a dos gênios
quero depor a alegria que chuta a sina do sofrer
quero uma rima que me faça crescer
um dia qualquer da semana vou querer
passar ainda além da Taprobana
quero meu ego desperto e soberano
nunca seco, nunca cego, nunca desumano
quero um quinhão que garanta a vida
a palavra sendo minha principal comida

em 08/09.06.2008, by cláudio bettega

sexta-feira, 6 de junho de 2008

(Cor)rompo a madrugada
com a caneta
em punho em parto
desligo-me do estado absorto
e inundo meu quarto
com a poesia da
minha ilusão
do transe
da proibida paixão
Escrevo as letras
sem dó nem
piedade
cada palavra formada
me traz a
claridade
da realidade indisfarçada:
estou só e
com tal dor no
coração
que transforma em
lágrima quente
o dilema da mente
que busca a fuga
do problema


by cláudio bettega, em 27.11.2006

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Tem um...

.
..brilhante texto do Thadeu dedicado a mim no blog dele. Confiram.

http://www.polacodabarreirinha.blogspot.com
meus sonhos se espalham pelo sono
minha vida dorme sem dono
não sei quem sou nem o que vou ser
não sei o que quero nem o que vou querer
luto em busca do meu perdido amanhecer
busco a luta que me faz crescer
quero a paz e um momento de amplidão
quero você o amor o prazer o fogo o chão

by cláudio bettega, em 09/10.09.2005

quarta-feira, 28 de maio de 2008

A ausência, a falta pura, o medo;
o desenrolar das atitudes;
o borrar de idéias, o se contaminar
por falsas ilusões.
Tudo solto, perdido na mente,
marcando ritmicamente
ponto e contraponto.

Seus olhos refletem minha
degenerescência,
abençoando com lágrimas
meu difícil caminho.

Escuto vozes recônditas dos
velhos pesadelos,
e abraço o vento,
que me inunda de frescor e pó.

A luz, as almas, o criar;
a pena e o papiro, o dedo e a tecla;
o salto, o baque, o sentir, o pensar.
Tudo envolvendo e desenvolvendo
o mitigado, enfurecido e poético ato
de viver.


by cláudio bettega, em 11.01.1999

quarta-feira, 21 de maio de 2008

vou voltar... sei que ainda vou voltar...

do forno

vou aqui
escrever outro
poema
antes que minha verve
se esgote antes que o
mundo me trague me
cague ou me fure no cangote
vou aqui eu neste movimento de
poesia e sinfonia vou
aqui tentando tirar leite de
pedra brilho da treva vou aqui
querendo falar do
quanto te amo te venero
num mundo tão severo vou aqui
na luta (in)sana
na labuta sacana vou aqui
sendo qualquer um
não sendo mais nenhum
querendo a salvação pela
arte cheia de
emoção
blog seja bem vindo ao meu blog blog-me não se sinta ofendido por meus sentinelas eles são loucos como louco sou eu blog blog-me emblog-se ablog-se blog blog-me web log

SENTINELAS DA NOITE

Escondo do alcance dos seus curiosos olhos a escala dos sentinelas que vigiam meus segredos noturnos. Mas posso revelar-lhe que eles armam-se de espinhos e venenos – nunca armas de fogo, detesto-as, pois barulhentas. As defesas que agridem silenciosamente me são mais atraentes. E, também, além da rusticidade, espinhos – vários ! – e venenos têm um quê de teor sádico que me deixa excitado.
Então. Guardo-me assim à noite. Nada de estranhos querendo saber dos meus segredos, nem de estranhos querendo saber a respeito de quem guarda meus segredos. Acho o cúmulo ter que ficar dando satisfações das minhas coisas a certos parasitas doidivanas.
Quanto a qualquer crime que meus sentinelas possam vir a cometer com o uso, mais do que justo, das armas já citadas – paciência! Crime maior, aos olhos do meu julgamento e escala de ilibados valores, é a desmedida intromissão em vida alheia.
Morreu, compra-se caixão, chama-se a família, faz-se o velório, enterra-se. Aqui jaz uma pessoa extremamente inconveniente; passou a vida preocupando-se com a das outras pessoas e esqueceu-se de vivê-la. Na missa de sétimo dia, reza-se um Pai Nosso e pronto. A alma está limpa. Tanto a da criatura curiosa, quanto a minha que, através de sentinelas e espinhos e venenos, por uma causa nobre de defesa de segredos noturnos, cometeu pequeno crime.


by cláudio bettega, em tempos idos

terça-feira, 20 de maio de 2008

meu peito grita
nosso amor
não é mera fita
quero te ter
beber
comer
te tragar
me inebriar
com tua presença
e na tua ausência
vou me desesperar
por esperar
o corpo teu
aqui ao meu lado
como tenho agora
quando choras
de emoção
por também me ter
me beber comer enternecer
a madrugada
se desfaz num grito
de um sol bonito
quente e terno
seja no verão
ou no inverno
nós dois juntos
misturamos estações
viajamos por várias
constelações
nos jogamos em
todas as direções
em todas as
emoções
nosso amor
nos faz ser um
não nos permite
sofrer mal algum


by cláudio bettega, em 11.07.2005



segunda-feira, 19 de maio de 2008

Abro todas as janelas
que me ofereçam você na paisagem
quero te ver no campo
na cidade
na miragem
Empreendo todas as estratégias
que te façam cair na minha rede
por você sinto amor
fome
sede
Te dou de presente meu eu
pra você me amar como eu te amo
pra você ser minha
como sou teu

by cláudio bettega, em 20.07.2005

quinta-feira, 15 de maio de 2008

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Hai-Kláudios

O Hai-Kai é um poema japonês de 3 versos, 5 sílabas no primeiro e terceiro e 7 no segundo. Normalmente é filosófico, e se exercita com o zen. Ainda não tive oportunidade de fazer oficina, uma vez até tentei com a Alice Ruiz, mas não houve pessoas suficientes para a turma. No Brasil se popularizou muito, e quaisquer 3 versos - e até 4 - o pessoal chama de hai-kai. Por isso chamo também os aí de baixo, mesmo que sem métrica e filosofia zen.


paz, incenso, palavras
noite de estrelas
avião sem asas


brutos mundo afora
armas e guerras
a vida chora


televisão na cara
os olhos ardem
a cabeça vaza


idéia nova
forma um poema
sem rima e métrica


california dreams
lighting my fire
in the summer


verdade crua
na tua religião
o bispo te suga


pepino ralado do dia
acho que prefiro
a barriga vazia


preto e branco
esse filme
cheio de encanto


morto o dia
ainda assim
repleto de poesia

segunda-feira, 12 de maio de 2008

michael do coxa convidou os palmeirenses pro baile. por que o valdívia e o denílson podem, e os coxas não? ãh? e a imprensa paulista , quando elogiou, falou que é ex-guaratinguetá. ô sina de estado arrabalde a nossa!!!!!

quinta-feira, 8 de maio de 2008

coitadinho do José Agrippino ...

domingo, 4 de maio de 2008

verdão e o.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Espalhou-se pela noite e pisou seus passos por terrenos esparsos. Soltou o grito das perdidas aflições e perdeu-se por entre as cachaças dos mendigos. Rendidos, seus olhos admiraram as luminárias escuras e as putas ordinárias. Entrou pela primeira porta de bar que encontrou e devagar no balcão se sentou. Pediu uma cerveja gelada e logo viu uma loira delgada. Puxou um papo amigo e seu lábio no lábio dela pediu abrigo. Enxugou o último gole e saiu pela calçada abraçado à misteriosa mulher e à quente madrugada. Ou vice-versa.

by cláudio bettega, em 10.01.2007



quarta-feira, 30 de abril de 2008

Ah, poeta!
de que vale ser
poeta num
mundo cheio de pessoas
com alma que
apenas
escorre pelas
frestas
do pavor
pelo vulto
insepulto
do perdido vácuo
em constante inércia...
Ah, poeta!
o que queres
fazer com tua
poesia
se só te
defrontas com a
realidade vazia
da ignorância mais
crassa
que apenas
embaça
a tua possibilidade
de até mesmo
tirar lucro
a partir de
versos que chamas de
precioso invento
mas ouves quase sempre
ser algo
sem senso...
Ah, poeta!
proclamas tua
benção perdida
pela perdida noite
de mendigos bêbedos
invades os bares
choras todos os
pilares que não
te sustentam
pesado ser de idéias
airadas
que se querem
densas
sedentas
por ser o manifesto
que manifesta
tua dor
escondida
incapaz
de receber
acolhida
em alguma
esquina...
Ah, poeta!
ainda ousas
em momento pedante
achar-te a
cereja do bolo
e não percebes,
errante,
que o bolo
é podre e
tua cereja afunda
na profunda
impureza...
Ah, poeta!
crês que és
elite
do pensamento elaborado
mas és apenas uma
rima em semente
que não germina
e essa realidade
lançada
qual cuspe
à tua cara
nunca termina mas
insistes
na lida...
Ah, poeta!
por que não
desistes???

by cláudio bettega deprimido, em 04/05.08.2005


DOMINGÃO...


Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street

Falar de Tim Burton envolve sempre expressões como "bizarro", "soturno", "universo peculiar". E, de fato, elas são ditas com propriedade quando analisamos a cinematografia deste artista comtemporâneo, sobretudo se dissermos em relação ao "Demonìaco Barbeiro...". Apartado da felicidade por uma condenação injusta, o personagem muito bem criado por Johnny Depp torna-se um ser revoltado, guardando eu seus meandros psicológicos uma dor que se revela em violência, sadismo, indiferença. A fotografia da película é sublime, e o uso do claro/escuro das cores remete à expressão lá de cima, esfera "soturna". Claro, não podemos esquecer que trata-se de um musical, em que as músicas também tem um fraseado todo especial, ou "peculiar", como queiram.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Absurdo (de) Divertido



No delicioso texto de Os Psicólogos Não Choram, Enéas Lour se permite diversas brincadeiras. Brinca com a própria função de dramaturgo, brinca com a psicologia, brinca com os atores - o própio Enéas, Ranieri Gonzáles e Gilda Elisa - em cena (e suas próprias consagrações na profissão), brinca com o teatro do absurdo, brinca com o público. Faz o que exatamente o teatro é para quem nele trabalha: uma divertidíssima brincadeira.
Sem contar a brincadeira com o próprio teatro paranaense e (seu) (sua falta de) público. Afinal os atores estavam em cena para mais uma "pecinha local, em plena sexta-feira e ressaca pós-festival". Deu vontade de assistir à peça em todos os dias, para saber quais as brincadeiras de cada sessão.
Pelo que sei, a temporada terminava domingo passado. Mas cabe mais.

como pelas beiras
o alimento da
minha poesia
das minhas veias
escorre
sangue negro e
gelado
sou apenas
um perdido
um alienado
nutro o amor
bandido
pelo mundo
letrado
mas sou mais um
poeta
sem talento
pouco sei
inventar
aqui neste meu
movimento
acho melhor largar
a caneta
fechar o caderno
e me esconder
em algum
inferno


by cláudio bettega frustrado, em 17.07.2005


segunda-feira, 28 de abril de 2008

HITCHCOCK BLONDE no ACT




Se Terry Johnson, autor contemporâneo que tem produzido muito e ganhado vários prêmios na Inglaterra, dá mostras em seu texto Hitchcock Blonde que é possível pensar a dramaturgia teatral como cinema, Paulo Biscaia não o decepciona na direção. Usando recursos que se tornaram freqüentes em sua companhia Vigor Mortis (como tela vazada para projeção de vídeos que se misturam ao atores no palco), desta feita foi além e produziu um espetáculo que pode ser visto em planos diferentes de linguagem, exibindo os atores em palco como se estivessem realmente na tela de cinema.
Assisti à peça como se estivesse filmando os acontecimentos com meus olhos, já que a dinâmica de cena e a agilidade dos cortes na direção se uniram a um texto muito afeito a estas possibilidades. Interessante que, ao mesmo tempo em que vemos atuação cinematográfica e recursos de vídeo, o próprio texto fala sobre cinema, retratando uma perfeita metalinguagem.
O universo de Hitchcock emerge da história quando suas idiossincrasias de diretor perfeccionista e ao mesmo tempo reprimido em relação às emoções são revisitadas. E isso se dá tanto na narrativa em que um professor de cinema e sua aluna pesquisam rolos antigos de filmes quanto na própria interação de Alfred com uma pretendente à diva/atriz.
Interpretado por Édson Bueno, o professor de cinema Alex tem uma tara por sua aluna Nicola (Rafaella Marques) e deixa isso claro a ela, resultando daí relação mais que profissional entre ambos. Já Hitchcock (Chico Nogueira), reprime ao máximo seus desejos pela sua diva Blonde (Michelle Pucci , linda em cena), substituindo interesse carnal pelo máximo de apuro técnico em seus estudos.
Os diálogos passeiam por várias questões ligadas à essa repressão, cabendo a Nicola tergiversar sobre o que realmente importa, se a relação carnal e emocional ou apenas a existência intelectual, e se ambas não poderiam caminhar juntas. Ao mesmo tempo em que cede ao seu professor, discute com ele intelectualmente. Mas o que realmente lhe interessa é a emoção. Já o professor, embora tenha investido em sua aluninha e atingido o intento, tem muita curiosidade intelectual e quase segue os passos de Hitchcock para esquecer-se dos desejos e dedicar-se totalmente ao cinema.
A relação entre o mestre do suspense e sua atriz transcorre numa tensão extremamente delicada, em que Blonde se revela sensual e provocativa para Hitchcock empreender seus estudos fílmicos de luz, planos, análise de atuação etc, e o diretor, na dele (!), frio e sublimador.
A cena final, que o leitor pode conferir quando for ao ACT, simboliza e dá fechamento a toda essa riqueza de discussões.



HITCHCOK BLONDE
Quinta a domingo, 21 horas, mais esta semana, no ACT.

sábado, 26 de abril de 2008

Achei no...

... blog do Solda esse casal de atleticanos. Devem estar se anestesiando antes do atletiba para encarar a mágoa...

quinta-feira, 24 de abril de 2008

I want a great piece
of happiness
that makes the world
funny.
I want a great piece
of truth
that shows me
the right way.
and then,
when my spirit
is flying,
I just want a small piece
of love.


by cláudio bettega, um dia aí...
Quero ser um poeta tão filho da puta
mas tão filho da puta
que ache rimas perdidas
até em uma perdida
gruta
puta poeta filho da puta que
eu vou ser
acharei versos jogados
em qualquer entardecer
Mas o que vai mesmo me diferenciar
nesse mundo poético do criar
é uma rima ducaralho
que eu vou inventar
afinal qualquer poeta
em seu momento sublime de esteta
já escreveu um poema sensível e bonito
e ali rimou, cheio de faniquito,
“amor” com “dor”
O que eu quero é,
num momento de epifania,
escrever um poema esquisito
e nele rimar, com sabedoria,
“feijão” com “doce-de-leite”


by cRáudio bettega, em 21.07.2005

quarta-feira, 16 de abril de 2008

estou na lan
pensando no amanhã...

peraí crláudio, você já fez essa porra de rima antes

oH, so sorry
de vovo, como diz minha sobrinha-afilhada de quase trê anos!

estou aqui, no teclado,
tec tec
enquanto minha coluna faz
crec crec

crááááááudiuuuuu, você já fez essa rima
no seu antigo blog
chfbinconcert


ééééé?


ééééé... :(


então tá, não vou rimar fácil...
tô aqui só
pra dizer
que essa vida é difícil
de fuder...


rimou fácil, bró... mas não tenho
como desdizer...

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Quero tua saliva
ativa
se misturando
à minha saliva
teu peito
em flor
encostado
a meu peito
Quero teu ácido
fervente
envolvendo
meu falo quente
teu cabelo
perfumado
escorrendo pelo
meu rosto suado
Quero teu gemido
ecoando
meu gemido
teu sentido
de prazer
num espasmo
desoprimido
Quero teu corpo
se fundindo
a meu corpo
no momento
do nosso orgasmo


by cláudio bettega safardana, em 10.01.2007


sexta-feira, 11 de abril de 2008



A Companhia VIGOR MORTIS merece há muito uma tese acadêmica por sua inovação. Já misturou teatro e quadrinhos, teatro e cinema, teatro e teatro, sempre exercitando o que, ao fim e ao cabo, independente da temática, interessa -linguagem. Já assisti a Morgue Story, Snuff Games, Graffics e, ontem mesmo, a GAROTAS VAMPIRAS NUNCA BEBEM VINHO. Pus-me a escrever sobre essa peça porque precisava, há algum tempo, falar sobre esse grupo. E, de quebra (mas não só por isso), tive como “colega” de platéia o aclamado ator e diretor Antônio Abujamra.
Creio que, nesta peça, o diretor Paulo Biscaia Filho atingiu um ponto inusitadissimo – conseguiu que a mistura da linguagem teatral e cinematográfica, que tanto sempre almejou, se desse ao extremo. Se em Morgue Story (aclamada com o Gralha de 2004) juntou teatro, vídeo e quadrinhos, em Snuff Games, a estética dos games com teatro, e em Graffics novamente quadrinhos com vídeo e teatro, agora Biscaia conseguiu que, ao interpretar teatralmente a peça, a personagem principal se misturasse aos vídeos, necessitando repetir no palco as “coreografias” projetadas na tela vazada. Interessante notar que, desta feita, a voz teatral se amplifica com microfone, ao contrário da outras peças, agora recurso que nivela atriz e vídeos de forma uniforme.
Não sei aqui resumir a história, sou péssimo pra isso, mas tento externar minha emoção ao ver linguagens sendo exercitadas de forma tão “maéstrica”, o que determina que o diretor e atores têm perfeito domínio sobre seu ofício. Michelle Pucci, por exemplo, poderia perfeitamente substituir as chatérrimas apresentadoras de telejornais, tão natural está no papel de “padrão globo de qualidade”. Mariana Zanette, que acostumada está a dialogar com vídeos, saiu-se muito bem nas já citadas interações com a tela. E falar do senhor das minúsculas e perfeitas e divertidas atuações, leandrodanielcolombo, é algo fora da minha parca vocação de resenhista. Mas não só de linguagem se vive. E a temática? Ora, ela se mistura à linguagem, é coadjuvante às vezes, protagonista outras tantas. Se foi insuficiente meu textinho para entender uma ou outra, ou ambas, o Mini-Guaíra está ali no lugar de sempre, levando a peça hoje, sábado dia 12 e amanhã domingo, e no próximo final de semana. E agora vou ler de novo Drácula de Stocker, assistir à Nosferatu do Lugosi, porque o pop GAROTAS VAMPIRAS NUNCA BEBEM VINHO está, no meu imaginário, ao nível deles.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

querida paty!!

sábado foi aniversário da minha querida amiga Patrícia Duarte. na sexta, comemoramos na aoca, quando escrevi esse poema. parabéns de novo, Paty Bela!!!!



Patrícia
maquinaímica carícia
aos olhos
ouvidos
ou quaisquer
gemidos
de um
homem canibal
grito fatal
de beleza
que sua natureza
faça muitos
aniversários
direitos ou
contrários
à lei
às leis
sua harmonia
sinfonia
sempre terá
vez
no meu coração
beijão!!!

terça-feira, 8 de abril de 2008

poeta revolto

Esgarçado em sustenido o som da última poesia que verti da minha alma vadia da minha cabeça vazia na última manhã fria com rima vértice corpo débil senso estéril mãe que embala o berço do perdido poeta torto morto grosso sem viés de poeta composto avassalado avacalhado pela ignorância forte protuberância de engodo roto rés do chão sem quinhão sábio apenas manejo otário repetitivo abusivo chato reprimido comprimido pela banalidade brutal sem força especial


by cláudio bettega, em tempos idos

terça-feira, 1 de abril de 2008

poema no spa

Dobro o sino
pequenino
sino de
ninguém
Digo amém
para mim mesmo
e tento ir
além
Abro o pranto
desmedido tal
pobre menino
Quebro o
encanto do
sacramento e
me lanço a
voar ao vento
Vôo e vôo
meio perdido
à espera do
meu destino


by cláudio bettega, em 31.03.2008, no spa givita

quinta-feira, 6 de março de 2008

Uma dose de meia hora de teus beijos me embriagaria mais que qualquer porre de cachaça, me excitaria mais que qualquer trepada com qualquer Nicole Kidman. Quero teus lábios aquecendo e molhando os meus, quero teu carinho como meu principal deus. Desmancho um novelo de idéias puxando a ponta da linha com um olhar que te fulmine, te quero me dizendo “sou tua, me domine”. Te levo pro canto e te faço cair no pranto – lágrimas e soluços de tesão, teu corpo vibrando em combustão. Meu pulsar a te enfeitiçar, teu amor a me conquistar. Nossos humores se misturam em coquetel de paixão, nossos corpos se fundem e atingimos a imensidão.

quarta-feira, 5 de março de 2008

um caminho um carinho um beijo um ninho procuro quero preciso indeciso na vasta vastidão da escuridão quero ponte pra outra dimensão vida em plena amplidão amor alma comunhão

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Conto do Otávio



Otávio Linhares , além de amigo querido, é filósofo, historiador, ator ducaralho e barista internacionalmente premiado. Aqui vai um conto dele mostrando sua faceta de também escritor.


Aquele dia foi especial demais. Estava tudo armado para que fosse. Uma conversa na Internet, umas fotos trocadas, uns e-mails, até a voz dela eu já tinha escutado em um telefonema surpresa que recebi há uns dias atrás. Fiquei muito emocionado. Era a voz mais linda que eu já havia escutado. Também, pudera, estava apaixonado! Qualquer “peidinho de véia” e eu me borrava todo. Enfim, eu estava me preparando para o nosso primeiro encontro ao vivo e a cores.

- Calça, camisa, sapato... não, sapato não. Tênis! Boa, isso mesmo, tênis é mais confortável e me deixa mais à vontade.

Estava nervoso demais e não sabia o que vestir. Qualquer coisa serviria. Imagine você que a minha preocupação era com a roupa, sendo que ela, segundo o que ela me disse, também, estava apaixonada e o que menos importava nesse momento era a roupa ou o presente, mas... eu era muito jovem pra entender dessas coisas: amor, paixão, tempo... Amor é igual vinho da Bordeaux, igual a ator de teatro, é igual a amar e... “amar é a eterna inocência, e a única inocência é não pensar”.
Muito bonito tudo isso, mas, o problema é que eu não tinha um presente. Que ele não era importante eu já sabia, mas, ele ainda não sabia e estava ficando desesperado porque ainda não tinha achado o mísero presente.

- Que droga! Eu sabia que tinha esquecido alguma coisa. É óbvio! Jorge Manoel sempre esquece alguma coisa. Cadê o presente? Puta merda! O que é que eu vou dar a ela? Já sei!

Tendo a idéia mais brilhante de sua vida pensou rapidamente no mais fácil.

- Darei a ela meu livro mais importante. Acho que isso é importante, ou não é? Deve ser. Uma boa leitura é sempre importante e ele não é muito grande. Ela vai gostar!

Tão nervoso que esqueceu o perfume, a carteira...

- Ah! Um perfume pra dar uma força!

A carteira...

- Ah! A carteira.

As chaves do carro...

- Vou a pé, assim no caminho penso em algumas coisas boas para dizer a ela.

Quem dera soubesse ele que dizer apenas que a amava já seria suficiente. Saiu de casa com o ponteiro às 15:00 hs. Havia marcado com a tal moça às 17:00 hs na praça da avenida central e, como foi a pé, não queria se atrasar. No caminho pensou em várias bacanas para dizer a ela... quero dizer, babacas! Coisas babacas que só um ser apaixonado diz a uma ser apaixonada e vice-versa. Tudo bem, eu acho. São coisas do coração.
Enfim, saiu às 15, chegou às 16, esperou uma hora e nada! A pracinha até que era bonitinha. Apesar de ser central a movimentação era pequena e, de certa forma, organizada. Pouca sujeira, vendedor de pipocas... Ah! Ele comprou pipocas e, sim, ele jogou pipocas para as pombinhas que passeavam pela pracinha bonitinha e depois sentou em um banco de madeira e esperou mais um pouco.
Como dizia minha avó: “cabeça vazia é oficina do diabo”! E pela sua cabeça começaram a passar coisas estranhas, do tipo que só aparecem em momentos estranhos. Coisas avessas a tudo o que foi dito ou pensado nos últimos 30 dias. Não só começou a achar que ela não vinha mais como, também, achou que as fotos e o telefonema eram falsos, típico comportamento de Internet. Talvez, ela fosse simplesmente uma maníaca que ludibria as pessoas com telefonemas obscuros e fotos arranjadas e marca encontros estranhos e não aparece. Ou não fosse nada disso e ele está alucinando com coisas mais simples do que parecem.

- E se ela estiver agora atrás de mim, vendo o meu nervosismo, e está apenas esperando para me dar um susto e depois um beijo e depois um abraço e outro beijo e andar de mãos dadas e mais um beijo e namoro e mãos dadas e pipoca às pombas e outro beijo e outro abraço sim eu aceito e mais pipoca boa noite eu te amo acorda amor e mais um beijo que lindo o seu bebê um beijo eu não posso vou pensar nisso senta aqui claro que sim um beijo bom dia R$ 50,00 alô quanto boa noite sai da frente 20º andar explode em Londres diretamente do Japão para você duzentos gramas açúcar beijo no rosto olá Jorge Manoel sai daí moleque que lindo o seu bebê quatro dúzias Jesus te ama trocar a cortina amarrar o cadarço molhar plantas pagar levar trazer deixar calar ouvir gozar saber pular tentar dizer com amor... um beijo.

Pois é, a vida é dura. E o pior é que ele tinha ido ao encontro a pé. Mas, pegou um ônibus e parou num barzinho ao lado de casa. Tomou uns tragos, o suficiente para deixá-lo mais leve, nada mais.

Eu costumava dizer que, assim, a cabeça me deixa dormir.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

não quero esgotar o manancial quero espremer todo o potencial verter rica lavra em pedra especial cometer a arte em atitude visceral quero o lodo quero o ouro todo quero a vida quero o espírito o palco o salto a espuma o corpo em pluma quero o momento a todo momento quero o invento que invento quero a poesia o teatro em todo e qualquer ato

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

A LÍNGUA LAMBE

Carlos Drummond de Andrade


A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves rítmos.

E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,

entre gritos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecidos.
ver você
e não mais saber
do que me faz
andar pra
trás
sentir você
e conhecer
o prazer extremo
do extremo
querer
amar você
e ir além
do real comum
ficar bem
zen
fundir-me a você
sem me confundir
deixar apenas
todo o sangue
fluir


by cláudio bettega, em 11.12.2007

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

teu corpo
conforto macio
no cio
ingresso do
desejo
meu beijo
te envolvo
eu polvo de
tentáculos soberanos
tiranos
a te explorar
cativar
teus olhos
lágrimas de
tesão
percepção
meu íntimo
descarga de emoção


by cláudio bettega, em 17.07.2005

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Estupro com minha boca
tua boca batom luz néon
meu tato te penetra
te sinto completa
acaricio no teu ouvido
um poema
que te trema
na hora perfeita
do amor que a gente ajeita
Sussurros viram gemidos, depois
gritos lascivos
nossos humores se misturam
perduram pra sempre vivos


by cláudio bettega, em 11.03.2007

BOM DIA!

CORRA E OLHE O CÉU
Cartola/Dalmo Castello


Linda, te sinto mais bela
Te fico na espera, me sinto
tão só
Mas o tempo passa,
em dor maior
Bem maior
Linda, no que se apresenta
O triste se ausenta
Fez-se a alegria

Corra e olhe o céu
Que o sol vem trazer
Bom dia

Ah, corra e olhe o céu
Que o sol vem trazer
BOM DIA!!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Haverá...

... paradeiro?

FEITINHO HÁ POUCO

Mais uma manhã
me recebe
nesta louca loucura
que nos
persegue.
Vou então eu
perseguindo a vida,
sempre à procura de
boa acolhida.
Que seja lindo
meu dia quente,
quero chegar
puro e decente
ao cair da noite e
refulgir do luar.
E quando deitado,
inebriado pelo sono,
esperarei um sonho que
me ensine
a amar.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Há an...

...alistas políticos que dizem que, agora que a democracia impera e que ambos já sabem como é ser governo e oposição, PSDB e PT estão muito próximos no matiz ideológico. Há até os que vão mais longe - dizem que ambos os partidos, juntos, poderiam ser o caminho para a bem governança e crescimento. Putz!!!! Imagina se esses caras se unem, assumem juntos e começam a distribuir cartões por todos os escalões do poder!!! Repito: quero o meu cartão pra gastar na Fnac!!!!

Há pouco...



...conversei comigo mesmo.



- Já leu Saramago?
- Não, mas tenho curiosidade. Tem gente que diz que é um mala.
- Também já ouvi isso, e também ainda não li. Tava a fins de ler Ensaio Sobre a Cegueira, o Meirelles tá filmando no exterior.
- Que Meirelles?
- Do Cidade de Deus.
- Cara, que legal, o cara chegou lá?
- Faz tempo. Não viu O Jardineiro Fiel? É dele.
- Ah, ouvi falar do filme , não vi e não sabia que era dele.
- Então, quero ler também O Evangelho Segundo Jesus Cristo, dizem que é o melhor do Saramago.
- Legal. Eu no momento tô lendo literatura pop, beatniks e Bukowskianos, e alguns poetas daqui e dali
- E tem escrevido?
- Quase nada, mas tenho que dar vazão de uma vez por todas à verve, desrepresar.
- Ainda tá com aquelas amarras, traumas, complexos?
- Tudo aquilo e muito mais.
- Já te disse, você só melhora quando for num centro espírita desenvolver tua mediunidade. E também quando começar a comer só alface
- É, você não é o único que diz isso. E quando fica repetindo, é mais mala que o Saramago.

INDEFINIÇÕES

Eu, a bem da verdade, não tinha mais muitas esperanças de poder, abertamente, confessar, confidenciar a Maria Alice todos os meus pecados mundanos acumulados em mais de trinta anos de existência urbana. Aliás, não sei se podemos chamar a vida de um sujeito metido a escritor que vive em uma esfera introspectiva e cheia de neuroses, propriamente de existência urbana. Mas foi uma existência, se não solta pelos bares e festas de Curitiba (apenas solta pelos seus calçadões, que meus passos, embora raros e distraídos, conhecem como ninguém), suficiente para produzir todos esses pecados que me inibem diante de Maria Alice.
Pecaminosa mesmo a minha existência; caseira, mas cheia de crueldades. Todas as palavras que eu dizia - berrava - tentando convencer as paredes de que eu era o máximo em matéria de entendimento da alma humana (que parecem ter sido absorvidas por essas mesmas paredes e, hoje em dia, são refletidas, já que tanto me golpeiam quando da minha solidão domiciliar) são de uma crueldade e empáfia absurdas.
Maria Alice merece alguém menos pedante, mais autêntico, mais experiente. Sinto que meu universo descompassado não se coaduna com seu dinamismo. De que adiantam poemas e contos jogados em uma gaveta que impressionam sua sensível natureza, se a crueza das existências humana e urbana me são tão distante a primeira, tão imprecisa a segunda, e me é tão torturante a somatória inevitável das duas.
O problema, também, é que ela se deixou muito envolver por esse meu ser meio alienado, embriagado por fantasias literárias, e pouco enxergou a sua própria necessidade de um relacionamento real, maduro, com alguém que possa lhe oferecer aquilo que todas as mulheres, ou pelo menos a imensa maioria delas, deseja: segurança.
E, agora, tenho vergonha de confidenciar a ela toda a minha loucura, meus pecados mundanos que ultrapassam o mero criar artístico, derramando-se em minha mente de forma a produzir pensamentos por vezes escatológicos, por vezes, diria eu, muito incomuns, meio que beirando a total falta de lucidez, daí advinda minha estranha compulsão por conversar com as paredes, ao invés de telefonar para alguém conhecido e soltar as insanidades em um bar, com um copo de chopp temperando a noite.
Conversar com Maria Alice, hoje, é de uma dificuldade tremenda. Ela sempre me olha esperando comentários inteligentes (para ela) a respeito de algum livro ou algum filme, e eu não tenho como lhe dizer que não entendo nem de livros e nem de filmes, e que o que eu escrevo só tem valor estético para as traças do meu armário ou para aquele editor caquético que eu procurei e que gostou do meu “trabalho”. Já esgotei todo o meu arquivo mental de matérias jornalísticas que consumi das revistas especializadas, com as quais elaborava minhas impressões a respeito de certos assuntos que eu abordava nas nossas noites insones, deleitados pela única coisa na qual realmente combinamos, a capacidade de um dar prazer sexual ao outro.
Ah, se ela soubesse das minhas crueldades... Embora tenha eu toda essa auto-crítica em relação às peças literárias que minha mente produz, meus berros às paredes representam muito do que eu realmente sou. Grande parte dos fragmentos da minha vida são dominados por crises alucinadas de alguém que se acha “o incomparável”. E embora Maria Alice use sua sensibilidade para pensar também dessa forma, sempre tentando me agradar, não consigo enxergá-la como uma pessoa ilustrada, culta. Mesmo porque sei que estou distante das grandes inteligências.
Realmente muito estranha essa dicotomia em que vivo. Se lúcido, acho-me uma porcaria. Se tomado pelas alegorias inconscientes que se espraiam pela minha desprotegida mente, acho-me um grande homem, só comparável aos grandes mitos da história terrestre. São poucos os momentos como o presente, em que posso analisar friamente minhas idiossincrasias; em que posso concluir que, não obstante possuidor de uma certa tendência às artes literárias, não sou nenhum Joyce, nenhum Machado, nem um Pessoa.
Pois é. Não só não tenho coragem de revelar que passo muitos momentos fora de sintonia (já que os que ela presenciou não continham seu teor costumeiro), como também não quero magoá-la dizendo que tudo o que me liga a ela não passa de desejo sexual.
Às vezes penso que deveria haver alguma coisa nos seres humanos que revelasse aos outros, só pela aparência, o que se está pensando. Sei lá, se houvesse expressões faciais comuns a todos com diversos significados: “Te detesto”; “Porra, como você é chata e burra”; “Não gosto de você de verdade”; “Dá pra parar de me encher o saco?”; “Pombas, cala a boca e me deixa ver televisão”... Maria Alice seria informada dos meus pensamentos a respeito de sua burrice com um mero esticar de músculos faciais.
Mas é muito doloroso pensar em magoá-la, quanto mais exprimir de vez minha repulsa. E, se eu analisar bem, Maria Alice preenche meu tempo agradavelmente, mesmo que tenha lá sua insuficiência intelectual. Seria difícil encontrar uma mulher com todos os requisitos impostos pela minha forte e perfeccionista exigência, ou seja, alguém bela e sensível como Maria Alice, mas com uma inteligência que me faça navegar em mar brando, apaixonando-me. Uma mulher que não fique apenas embasbacada com o meu discorrer de idéias, que Maria Alice julga altamente erudito, mas que discuta e acrescente alguma coisa ao meu parco cabedal. (Essa modéstia toda e também a frequente mania de achar Maria Alice burra fazem parte da já citada dicotomia crônica que me persegue, julgando-me ora um bostinha, ora o máximo).
Difícil. Difícil chegar a um termo exato de atitude que simplesmente resgate do meu íntimo algo verdadeiro, equilibrado, definitivo. Difícil continuar percorrendo esta busca e julgando inferior alguém que me ama, tendo eu mesmo a dúvida sobre minha própria condição. E é desagradável também persistir com a mania de achar que tudo o que nos rege é a quantidade de inteligência ou, ao menos, conteúdo poético.
Ora, se Maria Alice parece-me burra, parece-me também muito sensível e dinâmica. Por que não tentar aprender com ela a ter essas qualidades (principalmente dinamismo, já que estou contente, pelo menos neste exato momento, com minha sensibilidade de estilista), e, de uma vez por todas, colocar-me aos outros e, principalmente, a mim mesmo como um profissional das letras? Por que não dar vazão a apenas um lado da minha dubiedade corrosiva e emergir definitivamente como um grande escritor-contemporâneo-pós-qualquer-merda que arrebata a crítica e a massa e que é o que há – assim como às vezes se acha – de melhor?
Aprender. Humildemente aprender com ela. Enxergar em Maria Alice alguém que me passe uma postura de auto-conhecimento. E tentar mostrar a ela, da melhor maneira que ela possa entender, alguém que sofre diante do desmazelo da própria consciência, que busca enfurecidamente por uma solução para incongruências causadas pelas suas deficiências. Enfim, mostrar-me de forma aberta e total.
Maria Alice, não é só sexo. Eu a amo.

by cláudio bettega, em tempos idos

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

quero um cartão corporativo pra gastar na fnac!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

DO FORNO

Tórrido o
sol que me
esgota
escorcha
entardece
Suor gota a
gota
me umidece
Deito na rede
arranho a
parede
Um pouco de
água pra matar
a sede



by cláudio bettega, em 06.02.2008

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Desmembro-me atônito do centro de gravidade que me imperra e faz-me um mais um quero voar na arte plena seja em forma de teatro pira poema navegar em mar agitado enfrentar com convés limpo velas erectas idéias provectas quero viver no pensamento cheio de embasamento um largo sorriso amigo abrigo contigo estou no lado de lá e de cá vamos juntos cauterizar feridas com baba de arte vamos aprofundar o mundo de que fazemos parte sorvê-lo num segundo criemos depois nosso mundo todo profundo sem restolho de objetivo imundo vamos encarar a expressão espalhar talento em alta dimensão verter sentimentos em pura inquietação.


by cb.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Dispara teu grito,
poeta!
separa o joio do trigo –
difunde a palavra
linda e exata e
aborta a palavra
podre e bizarra.
Dá mãos à magia,
poeta!
cria tua poesia e
explode o mundo com a
mais forte alquimia.
Borbulha teu sangue,
poeta!
jorra qual vulcão
teu quente interior
inundado de sabedoria
e emoção.
Venera a arte,
poeta!
declama teu libelo
nos palcos e nas vias,
em manhãs quentes
ou noites frias.
Ama a vida,
poeta!
esteja vivo para sonhar
em mudar o mundo
com teu sentimento
fecundo.


by cláudio bettega, em 24.07.2005


terça-feira, 29 de janeiro de 2008

O teatro pobre

No teatro pobre, o ator deve compor uma máscara orgânica, através dos seus músculos faciais; depois, a personagem usará a mesma expressão, através da peça inteira. Enquanto todo o corpo se move de acordo com as circunstâncias, a máscara permanece estática, numa expressão de desespero, sofrimento e indiferença. O ator multiplica-se numa espécie de ser híbrido, representando seu papel polifonicamente. As diferentes partes do seu corpo dão livre curso aos diferentes reflexos, que são muitas vezes contraditórios, enquanto a língua nega não apenas a voz, mas também os gestos e a mímica.
Todos os atores usam gestos, atitudes e ritmos extraídos da pantomima. Cada uma tem a sua silhueta própria, irrevogavelmente fixada. O resultado é uma despersonalização das personagens. Quando os traços individuais são removidos, os atores transformam-se em estereótipos das espécies.
Os mecanismos de expressão verbal foram consideravelmente aumentados, porque todos os meios de expressão vocal são usados, desde o confuso balbucio de uma criança muito pequena até a mais sofisticada declamação retórica. Ruídos inarticulados, rosnar de animais, suaves canções folclóricas, cantos litúrgicos, dialetos, declamação de poesia: tudo está aqui. Os sons são intercalados de uma forma complexa, que devolve à memória todas as espécies de linguagem. Estão misturados nessa nova Torre de Babel, no estrondo de pessoas e línguas estrangeiras que se encontram antes do seu extermínio.
A mistura de elementos incompatíveis, combinada com a distorção da linguagem, provoca reflexos elementares. Resíduos de sofisticação são justapostos a comportamentos animais. Meios de expressão “biológicos” são ligados a composições bastante convencionais.


Jerzy Grotowski

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Sobre política, do baú.

Revendo meus arquivos, achei esse texto meu dos tempos da polêmica do mensalão.

A ARTE DA BARGANHA

Enxergo a Política como uma arte. Ultimamente, estou lendo “A Política”, de Aristóteles, “A República”, de Platão, já li “O Príncipe” de Maquiavel há muito tempo, assim como “O Manifesto Comunista”, de Marx e Engels. Preciso ler “O Capital”, também de Marx, que, a despeito de ser uma crítica ácida e revolucionária ao capitalismo, é respeitado até pelos economistas de direita como uma análise precisa das relações sociais nesse sistema.
Como sou um ser de humanidades - estudo teatro, escrevo poemas, estudei comunicação – tenho obrigação de ler todas as obras importantes relacionadas à filosofia, à política e à sociologia. Confesso que comecei tarde – na faculdade tinha mais interesse em literatura, livros de comunicação, comerciais de televisão, filmes e jornais e revistas do que em ler obras fundamentais para o espírito humanista.
Pois então, dentro da minha parca aventura humanista nesta vida, e dentro do contexto atual de formação da sociedade, não vejo outro meio de desenvolvê-la se não pela política como arte. Eu falo da necessidade de teorizar as relações e depois humanizá-las e até espiritualizá-las. Hoje, acho que os governos deveriam ser compostos por profissionais de administração pública, sociologia, psicologia, direito etc, eivados de espírito político, e não apenas por políticos sem formação, que acreditam apenas nas conversas de bastidores.
Mas já que atuamos dentro do processo democrático de voto, elegendo as pessoas que nos governam, tenho que aceitar e analisar dentro desse processo. Pois bem: Fernando Henrique foi uma enorme decepção para mim. Apesar de não ter votado nele, esperava que o sociólogo de estirpe que é não fizesse apenas trabalho de base macroeconômico, favorável ao grande sistema, mas tivesse uma política social contundente.
E o PT foi a maior decepção política da minha vida. Um partido de base social e intelectual, agrupando prática sindical de peões com teóricos de universidade, que sempre discursou pela ética na política, de repente assume o poder e mimetiza-se dentro do corriqueiro do poder. Minha esperança de ver a arte da retórica social (mesmo que com os defeitos gramaticais do Lula, o que interessa aí é o conteúdo) ser transformada em ação, plantando o resultado de debates em busca da colheita na ação social, foi toda diluída por uma política suja e corrupta, igual às anteriores.
Concordo que todos os cidadãos devem participar politicamente para o progresso. A cada parafuso apertado, a cada cirurgia, a cada peça de teatro montada, a cada poema escrito, a cada defesa de réu, estamos agindo politicamente pela transformação. E devemos ir além. Eu, por exemplo, ainda sou apenas estudante de teatro, mas pretendo fazer no futuro ações voluntárias em hospitais de crianças, escrevendo e atuando em peças educativas e de diversão, para animar as crianças carentes e doentes.
Mas acho que isso só, o nosso lado, não basta. Precisamos de uma ordem política moralizada, gerida por governantes cônscios da necessidade do ideal, e não apenas da bravata. Ontem, vendo um pedaço do depoimento do Roberto Jefferson, me ficou claro que todos os políticos têm a consciência do processo todo carcomido, e mesmo assim se locupletam a partir dele, seja em doações de campanha ou em balcão de negócios no poder. Está ficando cada vez mais claro que o desejo dos que lá chegam é o de se perpetuar no poder não pelo prazer idealista de ajudar a sociedade a se transformar, mas pelo prazer de ter esse poder e receber mordomias.
Esperava, real e ingenuamente, que ex-guerrilheiros, ex-sindicalistas, acadêmicos etc tivessem senso de ideal para a mudança. Não, são mais do mesmo, são os novos meros artífices da arte da barganha.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Ai, que saudades do palco!!!!

DIONÍSIO – Nome grego de Baco.

DIONÍSIAS OU DIONISÍACAS – Festas em honra a Dionísio (Baco), o deus do vinho. Na Frígia e na Trácia eram caracterizadas por sacrifícios humanos e orgias. Na Grécia, embora o caráter orgíaco fosse conservado, a vítima era um animal. Dessas festas destacavam-se as Antesterias, onde se provava o vinho novo; as oscoforias, que acompanhavam a colheita. As Grandes Dionísias ou festas urbanas celebravam-se no mês de março e possuíam também caráter artístico. Nelas, além do canto e da dança, havia representação de cenas mitológicas da vida de Dionísio. A tais festas liga-se a origem da tragédia e da comédia. As pequenas Dionísias ou Dionisíacas Campestres eram comemoradas em dezembro, após a vindima.

BACANAIS – Festas romanas celebradas em honra de Baco. Embora não fossem iguais em todas as regiões, identificavam-se sempre pelo caráter orgíaco e pela presença de mulheres tomadas de delírio.

BACANTES – Seguidoras de Baco. Acompanhavam-no em suas viagens à Índia. Não eram sacerdotisas, mas ocupavam lugar de destaque na religião e no culto a esse deus. Empunhavam o tirso, espécie de lança enramada de hera. Cobertas apenas por peles de leão, celebravam as orgias com gritos e danças desnorteadas. Mergulhavam em êxtase ístico e adquiriam uma força prodigiosa, de qe muitos heróis foram vítimas. Também eram chamadas Mênades.

BACO - Nome latino de Dionísio. Deus do vinho e da embriaguez, da colheita e da fertilidade. Sua lenda é complexa porque reuniu elementos diversos, tomados da Grécia e de países vizinhos. Filho de Júpiter e Sêmeie, foi educado no vale de Nisa pelas Ninfas, segudo a tradição mais corrente. Já adulto, descobriu a vinha e seu uso. Enlouquecido por Juno, andou errante pelo Egito, pela Síria e pela Frigia, onde a deusa Cibele o iniciou em seu culto.
Em todos os países, ensinava aos homens o trato da videira e a fabricação do vinho. Fatigado de tantas viagens, voltou à Grécia e recuperou a sanidade graças a Cibele. Na Trácia foi mal recebido pelo rei Licurgo, a quem puniu severamente. Em seguida, chegou à Índia, país que conquistou pe;a força de suas armas e por seu poder místico. Montava um carro puxado por panteras e ornado de ramos de videiras e hera. Acompanhava-o um cortejo de Sátiros e Bacantes. Voltando à Beócia, introduziu em Tebas as Bacanais. Penteu, o rei da cidade, opôs-se ao seu culto e ele, como de costume, lançou mão do vinho para impor-se; embriagou as mulheres e levou-as a matar o soberano. Em Orcômeno, onde reinava Mínias, procurou convencer o povo a juntar-se à comitiva do vinho. As filhas do rei, Alcítoe, Arsipa e Leucípa, recusaram-se a acompanhá-lo e receberam atroz castigo. Quando andava por uma praia, Baco foi raptado por piratas, que acabaram transformados em delfins; só escapou Acetes, que se opusera ao plano dos companheiros. O deus dirigiu-se em seguida à ilha Naxos, onde esposou Ariadne. Por fim, adquiriu o direito de participar da assembléia olímpica. Desceu aos Infernos e recuperou Sêmele, levando-a para a comunidade divina com o nome de Tione. Os gregos consideram Baco protetor das belas-artes, em particular do teatro, originado nas representações que faziam por ocasião das festas em honra ao deus.

Constantin Stanislavski

Stanislavski é um importante dramaturgo e teórico do teatro. Um pouco das palavras dele:


“ O ator vive, chora e ri em cena e, o tempo todo, está vigiando suas próprias lágrimas e sorrisos. É esta dupla função, este equilíbrio entre a vida e a atuação que faz sua arte.”


“Todo artista verdadeiro, enquanto estiver em cena, deve focalizar toda a concentração criadora unicamente no superobjetivo e na linha direta da ação, no seu sentido mais amplo e profundo. Se eles estiverem certos, tudo o mais será feito, subconscientemente, miraculosamente, pela natureza. Isto se dará sob a condição de que o ator recrie seu trabalho, cada vez que repetir o papel, com sinceridade, verdade e retidão. Só assim poderá sua arte livrar-se da atuação mecânica e estereotipada, dos truques e de todas as formas da artificialidade. Se o conseguir, terá ao seu redor, em cena, gente de verdade e vida verdadeira e uma arte viva, purificada de todos os elementos degradantes.”

sábado, 19 de janeiro de 2008

estou na lan
pensando no amanhã
que será que será
quem me dera ser
quero no mínimo
amanhecer...
depois eu enfrento o resto
e paro de achar
que não presto

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

by cláudio bettega, em 18.12.2004

Um mar revolto de rosas despetaladas me faz naufragar num sonho de algodão. O riso fácil da frase volátil e a descoberta da rima esperta. Fácil o agudo medo do medo de ser o que se é e o que o poeta quer. Meus olhos querem derramar as lágrimas que meu peito produz em combustão. Quanto mais quero o profundo mais me perco no raso imundo. Quando o homem atingir a liberdade o foco do ator será o grande chamariz. Reponho a falta do amor e carinho com angústia e depressão. Escrevo qualquer merda para refletir a minha perda. Perco qualquer perda para encontrar o meu abrigo. Quero você em beijos e muito sexo, mas também quero ser um grande amigo. Se a tarde anuncia um vento de descompromisso, é porque o bar está aberto e me espera. Se meu olho não te encontra, será que é porque você me desconsidera? Boa noite, texto bobo, boa noite, mundo tolo, bom dia, amor e fé, bom dia, doce mulher.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

by cláudio bettega, em 11.11.2002

Could you
show me
which way
I should
go by
could you
kiss me
give me
some light
could you
let me try

I don’t want
to fear
just
to bear
I don’t want
to cry

My dreams are
the same
I am just a
thinker
lost in the
sky

But you
can help me
just being
exactly what
you are

The world
never changes
but we
could spend
our lives
in pure air

The night
belongs to us
life longs for
our evidence
that love
is the most important
god

REQUIÃO E A PARANÁ EDUCATIVA

A chamada “censura” imposta ao governador Roberto Requião pelo desembargador Edgard Lippmann Júnior, do TRF de Porto Alegre, parece-me fundamentada quando diz que uma rede pública não pode ser palanque de ataques do ocupante do cargo máximo de plantão. Podemos argumentar que realmente cheira a censura ditatorial. Mas não seria também uma forma de ditadura de Requião utilizar dinheiro público pra se promover, dizendo defender interesses do povo? Interesses do povo ou dele? Tomemos como exemplo a Tv Cultura, de São Paulo. É uma rede financiada com dinheiro do estado, mas nela não vemos palanque, vemos programas de alta qualidade, inclusive alguns infantis premiados internacionalmente pelo conteúdo pedagógico.
No Paraná temos problemas de espaço destinado a artistas locais, que poderiam abrilhantar a programação da rede pública com arte. Poderia se haver concorrências para melhores programas, até colocar um violãozinho com um poeta declamando já é mais conteúdo intelectual do que um governador perdendo as estribeiras. Não, não quero ser eu o poetinha, há vários na cidade de Curitiba e no estado inteiro, assim como há várias companhias teatrais alijadas da notoriedade do público paranaense.
Quanto a questões políticas, creio que o governador está certo ao chamar os adversários para o debate, embora use tons intimidatórios nos convites.
E se quer divulgar o saber político, seria mais interessante aulas de teoria com professores do que ficar chamando jornalistas de apedeutas. Sempre votei em Requião, mas ele anda me entediando...

No Café do Teatro, em tempos idos

1.


um gole, uma cerveja,
um sentimento
meu momento é
de paixão
não consigo mais
dizer não
estou no bar, estou
em qualquer lugar
estou na vida
espero sua acolhida


2.

eu sonho, eu me
ponho na vida
te sinto
bela
mas você é minha
ferida
aquela que não
cicatrizou
porque você
me ignorou


3.


quero teu beijo
teu carinho
teu afago
quero um trago
de vinho
quero você
no meu ninho


4.


meu pau lateja
te deseja...
quero teu corpo,
teu líquido,
tua alma
mas me sinto insípido


5.


poderia eu te
elevar à altura
do prazer?
tudo bem...
me deixa tentar,
me deixa ser...

sábado, 12 de janeiro de 2008

Melhorou, Fernando amigo fela?


Insuspeito o grito
ensandecido
saído do peito
adormecido oprimido.
Agora é o
sentimento antes
represado
que dá ordens
num canto
rasgado
de amor,
paz e
rebeldia,
felicidade ao
clarear do
dia.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

insuspeito o grito
ensandecido
saído do peito
antes adormecido
oprimido
agora é o sentimento
represado
que dá as ordens
num canto rasgado de
amor
paz e
rebeldia
felicidade ao clarear
do dia

by cláudio bettega, em 11.01.2008

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

eu tava lá
perdido
menino
quando você chegou
me deu a mão
eu tão caído
logo aceitei
e já te beijei
e então
tudo agora
é mais solidão
por que apareceu
se já ia logo
embora?

by cláudio bettega, em 07.01.2008


segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

inseto peçonhento
me mordeu a coxa
fez ferida e me
deu sonolência
aranha marrom
putona
saia da minha residência
e vá tirar a mãe
da zona


by cláudio bettega, em 07.01.2008



quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

I want a great piece
of happiness
that makes the world
funny.
I want a great piece
of truth
that shows me
the right way.
and then,
when my spirit
is flying,
I just want a small piece
of love.


by cláudio bettega, em 30.08.1999