segunda-feira, 2 de março de 2009

Poema da querida amiga Sílvia Zyla


Eis o que se anunciou:
Em meio a devoluções
Devolva minhas lágrimas.

Escrevi ontem, noite mal dormida
evidências de um fim.

Flores já quase sem cor
o aquário vazio
devolva-me as chaves.

Lágrima doce
saudades de ti
amor tão intenso.

Quantas palavras
língua maldita
aquece-me o tempo.

Procuro a saída
direita esquerda
seta alada.

Trancado em um lenço
silêncio de mártir
quase me esqueço
a senha do medo.

Manhã de setembro
gosto de café
sonhos tremendo
inverno sem frio.

Mentira morna
desespero faz eco
lugar sem espaço.

Roupa de pregos
como deslizar na areia
calçadas de mágoa.

Voltar à mesma rua
de olhos fechados
pisando nos mesmos degrais.

Sono desperto
quem me chama
despertador calado.

Campos de vozes
consciência surda
tortura cega.

Como secar os olhos
debaixo da chuva
observador disperso.

Olhos que gritam
um dia roucos
abraços de hortelã.

Cansado
tango sem par
cai a última flor...