quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Vê se pode!!

Num dia da minha eterna adolescência tardia, acho que lá pelo ano 2000, escrevi o texto abaixo pensando que seria o manifesto oficial do lançamento da minha poesia, ou sei lá mais do quê. Putz...

MANIFESTO POÉTICO-POLÍTICO
(Peça de protesto político, argumentação cultural e divulgação de poemas de Cláudio Bettega)

Sem se deixar questionar por nenhuma forma de coerção externa nem aderir a qualquer ideologia mal configurada, deletando os regimes de poder ultrapassados e oferecendo uma coagulação (in)formativa que almeja - sem fronteiras e sem medos e sem achaques - detonar a velha asneira encrustrada no vocabulário dos poucos incultos que dominam Brasílias e afins eu, Cláudio Henrique Franco Bettega lanço, através deste petardo literário - digitado nas teclas mágicas que dão acesso à tecnologia - meu manifesto poético-político, elaborando todo o pensamento supracitado e mais, muito mais idéias e ideais - através de rimas e sinas, versos emersos, passos e compassos, espelhos e pentelhos, sóis e alcoóis, amores e sabores, gatos e sapatos, et ceteras e coisas e tais, com o qual pretendo, também, divulgar toda a minha poesia emocional-visceral, arrancada do âmago de sofrimentos fecundos e articulações vocabulares formadas numa luta cerebral intensa que opõe resquícios de parcas leituras interessantes a outros de cultura televisiva desvirtuante, tendo como tempero (para o bem ou para o mal) uma passagem meio inútil em curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda.
E, já de cara, confesso o meu desgosto de, humano, estar submetido à condição de ser cagante, pero revelo também todo o meu orgulho de ser um ser cantante-dançante-falante-ouvinte-assistente-lente-pensante-writeante-amante-copulante-churrasqueante. Mais: revelo a minha imensa alegria de ter-me descoberto fazedor de poemas aos vinte e dois anos e, hoje, estar aqui, transmitindo sentimentos.
É, pois, na função de poeta que perpetro este manifesto, que de modo algum pode falhar e perder sua toada libertária em meio aos pedregulhos que nos lançam pelos caminhos descarados da injúria nacional, óh pobre da nossa nação desgovernada e apodrecida, aboletada que está nas mãos da eterna elite calhorda que nos oprime. Se jogam com o descalábro dia após dia, se entorpecem a opinião geral com seus coquetéis despudorados de futilidades e vacuidades culturais, respondamos com nossa história, respondamos com nossa poesia, respondamos com nossa vida, respondamos com nossa cultura, respondamos com nossa sabedoria, respondamos com nosso amor à pátria.
E se o sol da liberdade, em raios fúlgidos, brilha então no céu desta pátria perdida, em Curitiba as pombas da praça Santos Andrade fazem o revôo diário, anunciando o perímetro demarcatório do Paço Imperial, onde reina o presente manifestante que, em criança, já festava junto aos belos pássaros, e, hoje, os acompanha com seus pesados passos a acarinhar os solos dos calçadões da capital de todos os paranaenses.
Capital esta na qual se pensa que a cultura se resume ao diploma universitário. Não, amigos, não; folgo em dizer-vos que a cultura vai além. Ela está no desabrochar dos cérebros para a diversa leitura da vida e das artes e para o diverso mundo do laborar artístico, ou pode estar também no prazer de sentir o vento frio de julho e assistir às pombas empreendendo o revôo coreográfico de uma nova esperança urbana por entre belas araucárias. E ainda por entre os Ipês floridos, quando primavera, da praça Tiradentes, revoando atrás de restos de pipoca jogados pelo aposentado desvalido e mal pago por um sistema previdenciário injusto.
A cultura está também no orvalho da noite e na geada das frias manhãs; está, sim, nas bibliotecas, escolas e Universidades, nos exemplos dos professores e tarefas dos alunos, mas, principalmente, está na educação doméstica, nas atitudes e exemplos paternos e maternos. Está na maneira de observar o ser-humano, analisá-lo com sensibilidade, afagá-lo, tratá-lo bem. A cultura, queiramos ou não, está na mídia, seja nas peças jornalísticas ou publicitárias, seja nos programas de humor ou dramaturgia, seja na bola (dá-lhe Coxa) ou em bundas rebolantes - sendo este um de seus símbolos deletérios, por causar vários constrangimentos (morais etc.).
Quando “cultura” deixa de ser apenas o saber pedante e assume um espectro mais abrangente que o termo propõe, ela está também no brotar das manifestações artísticas, sociais e políticas populares. A cultura é Fandango, é Congada, é Frevo, é Bumba-meu-Boi, é Carnaval e é Samba ole-lê! A cultura é massa, é o povo na praça, é BRASIL!!!!!!!!!!!
Por tudo isso, cultura é in, é out, é fashion e outsider, pertence ao mainstream e ao underground; é misturar termos, línguas e linguagens, é desfilar novos conceitos e chutar os preconceitos, é desviar-se das normas e instituir novas formas. Cultura, enfim, é saber e é poder.
E por que tanto esfolo meus dedos para escrever este manifesto (amado, odiado ou desprezado?) sobre cultura, saber, poder, foder, amar, liberar o verbo e transgredir o eterno??? Ora ora ora, pelo simples e óbvio motivo de que só tiraremos nosso país do caos errante e dissonante quando distribuirmos cultura ( Saber!!! ) ao nosso povo, seja via bibliotecas, escolas, televisões, jornais, revistas ou pobres manifestos isolados. Porque, de manifesto em manifesto, podemos formar uma massa compacta de palavras que serão injetadas nos cérebros de nossa gente para serem tragadas e analisadas. Palavras, sejam elas também e principalmente semeadas através de poemas, romances, contos, fanzines, textos internéticos ou até bulas de remédio – remédio contra a falta de palavras!!!!!
E termino este manifesto metido a “pop-cult-pós-globalworld” recomendando a todos a leitura dos meus maravilhosos poemas, retirados a picareta do centro da minha lavra, vomitados qual lava do fundo das minhas vísceras, ou gerados de acordo com o clichê que o nobre leitor preferir. Espero, sem mais para o presente, serem este manifesto e este conjunto de poemas os primeiros de muitos.


TOMEM!! A POÉTICA NÃO É MAIS SÓ MINHA!

Cláudio Bettega