terça-feira, 22 de julho de 2008

CAFAJESTE, by bettega

Por que será que as mulheres gostam tanto de cafajeste? O que tem nessa figura tão questionável que deixa uma fêmea em estado latejante, provocando a vazão de seus ácidos que serão lavados depois em baixo da ducha?

Iara, 33 anos. Conheceu Gomes num site de relacionamentos. Conversa vai, conversa vem no msn, Iara recebeu o impulso para seu furor: sou casado.
“Ai. Que cafajeste! Que faz num site de relacionamentos? Procurando mais alguma vagabunda, não está satisfeito com a bosta com que casou?”
Iara queria porque queria ver a foto do desgraçado. Pediu mandar no e-mail.

“Nossa, que lindo. Será ele mesmo? Ai, um tapa dessa mão na minha bunda... no meu rosto, ai! Não quero nem pensar. Isso, pensar não. Quero mais é receber!!”

Resolveu marcar encontro. Cafezinho no centro, quem sabe. Gomes relutou, muito ocupado, talvez semana que vem. Iara foi latejando cada vez mais.

“Sim, homem como esse não dispenso, amiga. Imagine, casado, 44 anos, disse que dois filhos, um menino e uma menina. 44 anos!!!! Totalmente dentro da saúde!!”

Finalmente chegou o dia. Foi com um amigo. Propôs, sem delongas, ménage a trois. Iara enlouqueceu por dentro. Sua calcinha ficou úmidíssima. Mas interpretou indignação. “Pensam que sou o quê?”
“Não pensamos, sabemos o que você é.” Desenhou no ar a mão pronta para o tapa. A mão de Gomes evitou o movimento num aperto. Ela quase resfolegou de tesão. Aquela mão suada, enorme, agarrando seus delicados dedos que tanto a enlouqueciam na eventual intimidade solitária

“Me solta, seu... seu...”

“Diga, isso, diga: cafajeste! Ca-fa-jes-te”

Iara não conseguiu evitar a saliva que escorreu pelo canto da boca trêmula. Foram os três para um Motel na Saldanha Marinho.
“Quatro horas, seis camisinhas.”

Dia seguinte, ainda cansada, Iara encontra a confidente. Diz que ficou louca, não conseguia parar de gozar. Paus enormes, posições todas as possíveis, habilidades únicas. Que marcaram mais pra terça-feira às duas da tarde.

“Quero ir junto.”

Foram os quatro para o mesmo Motel, agora seis horas e doze camisinhas.


Bateram na porta. Muitos berros, incômodo. As duas puseram lençóis na boca. E começaram a mais cavalgar e abrir as pernas a levar dedadas linguadas estocadas loucas ficaram ai meu amor vocês são doidos vem cá Iara quero te lamber também lésbica eu não sabia era sou sim e você é meu tesão ai pintão isso no fundo me tira gosma do cu vídeo? pra quê só vocês nos destroem Iara que buceta doce é tua amor depois te quero ali no banheiro ai ai ai ai mais mais mais...

Iara e a confidente, agora namorada, entraram juntas na internet. Dedo na tecla, dedo nas bucetas, chupa daqui, acha homem gostoso dali, foram fazendo amigos e tinham encontros saudáveis todas as semanas e mais se davam no Motel da Saldanha agora com descontos pro quarto (sempre o mesmo) e fornecimento de graça das camisinhas.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

poemas do brother João Kosak



Se essa rua fosse minha

Admiraste o fato
Que de um beijo
Um agrado,
Pronunciaste mais um ato.
Como ilusão perdida,
como o nú na relva
Conheceste vida,
E entranha-se como ar
Pois propósito fajuto
O nojo para amar,
E quem ousaria e diria
Mesmo de mentira
Que raiaste o dia?
Contudo,
Nem mente insana
Nem homem de fossa e lama
Lhe anunciaria tal absurdo.
E se este é teu,teu sonho!
Agarra- te a ele
Até se perder,
Até... me perder.



Emocionado e emocionante

Rubro amor despercebido
Onde chora o amante
Acre o gosto da discórdia
Ignorância retumbante.
Rica mente chorosaque edifica mirabolâncias
Que bate no peito
Causando- me ânsias.
Trago boas novas:
No seio da mentira
Erradicou- se as mentes nossas.
Trago boas novas:
Que nessa discussão de pessoas
Prefiro parar, e falar com rosas.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

eu precisava ver você agora
eu queria uma bebida forte
e um pouco de sorte
para entender porque a paz foi embora
você some e me some
essa distância me consome
meu pensamentos se alvoroçam
minhas emoções se despedaçam
cada latido de um cão
perdido
é parecido com meu
gemido
minha força já se esvaiu
minha pressão caiu
meus sonhos não sonham mais
nem eu mais conto carneirinhos
para dormir
a realidade por si só
me anestesia
encontro apenas um copo
na madrugada vazia



by cláudio bettega, em 21.08.2005

quarta-feira, 25 de junho de 2008

tua boca
me provoca
convoca para um
beijo
que acenda o
tesão
no meu
coração
amor amplidão
te quero sempre
minha paixão

by cláudio bettega, em tempos idos

Quero que entendas, meu amor, que a mim não me interessa tostão, muito menos um rico quinhão; só quero a poesia incrustrada nos genes do espírito celular. Quero a sabedoria envolvendo nossos corpos, nossas almas, nossa lida, nossa vida. Quero o amor perfeito, elevado à condição de, do bolo, o mais nobre confeito. Enfeito-te com palavras, enfeitas-me com beijos e delícias – juntos somos uma troca infinda de delicadas carícias.

by cláudio bettega, em tempos idos

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Em estrelas diversas, pedaços do meu corpo, em versos, se espalham pelo universo. Meus músculos latejam o latejo da criação inversa ao bombar do sangue imerso em glóbulos de paixão. Quero percorrer todas as quadraturas da poesia fecunda que se possa imaginar. Atingir a semiótica dor do desespero apegado ao primeiro obstáculo que me fascine as tentativas perdidas de um criar que se quer preciso, confiável, oráculo da minha revolução em flor, estratégia do verdadeiro amor.

by cláudio, em tempos idos
derramo fosse porra
neste papel
uma palavra
escrita
uma palavra
escrota
caralha tal
minha pica
suja tal
minha boca
que regurgita
a beleza
da poesia maldita
que regurgita
a merda
da obscenidade
bendita

em 26/28.06.2004, by cláudio bettega

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Meu maior tesão
é te ver cheia
de tesão
por me dar
tesão
Meu maior amor
é te ver cheia de
vontade de me
amar
repleta de amor
Minha única dor
é saber que
vou morrer e
por isso
te perder


by cláudio bettega, em 30.03.2005

segunda-feira, 16 de junho de 2008

minhas hemácias
em chamas
refletem dramas
do inconsciente
sem consciência
minha dor
espalha-se por
tensos músculos
minhas vértebras
espalham-se por
incerta estrutura
não sou
escultura
sou humano
serei espírito
apenas em outro plano


em 05.08.2005, by cláudio bettega


sexta-feira, 13 de junho de 2008

em qualquer minuto
qualquer hora
qualquer voz
amo o amor
que chora
em nós



by cláudio bettega, em 17.07.2005

quarta-feira, 11 de junho de 2008

descarto de cara
de vez
este poema
que mal ainda
se fez
mas sei que
já declara
minha insensatez
meu medo
minha embriaguez
quero uma palavra
forte
que direcione
meu norte
não quero firulas
que só externam
loucuras
amarguras
quero a lucidez
quero a minha
cura

em 09.01.2007, by cláudio bettega
uma célula
do meu espírito
se multiplicou
num cancro
e fez-me adoecer
por toda a eternidade
meu corpo
é uma célula viajante
que se perde
pelo espaço do meu
universo
que só se manifesta
em verso


by cláudio bettega 05.08.2005

segunda-feira, 9 de junho de 2008

me dê a sua dor
sim, me dê todo o seu choro
me recupere os arquivos que você deletou
me lance na cara o cuspe antes de se ajoelhar na privada
me dê a ferida dos leprosos
todo o lixo do aterro da caximba
vamos fazer um jantar com restos de cancros extirpados e merda de rato
quero o cheiro do peido saído de uma bunda imunda
quero todo o lodo formado pela tempestade
não quero mais a lágrima metida a coitadinha que verto
nem bater mais a cabeça no muro das lamentações
quero o grito, o salto, o palco
quero qualquer poesia que o mundo produza
limpa ou suja
quero o escombro, o restolho, os dejetos mas também o
ideal pleno
quero o ar poluído ou puro,
o dia claro ou escuro de nuvens cheias de azia
quero a miscelânea, a coletânea instantânea
quero teu sangue
tua baba
teu pus
teu orgasmo
quero o mijo dos incontinentes
o destempero dos inconseqüentes
a loucura dos dementes
e a dos gênios
quero depor a alegria que chuta a sina do sofrer
quero uma rima que me faça crescer
um dia qualquer da semana vou querer
passar ainda além da Taprobana
quero meu ego desperto e soberano
nunca seco, nunca cego, nunca desumano
quero um quinhão que garanta a vida
a palavra sendo minha principal comida

em 08/09.06.2008, by cláudio bettega

sexta-feira, 6 de junho de 2008

(Cor)rompo a madrugada
com a caneta
em punho em parto
desligo-me do estado absorto
e inundo meu quarto
com a poesia da
minha ilusão
do transe
da proibida paixão
Escrevo as letras
sem dó nem
piedade
cada palavra formada
me traz a
claridade
da realidade indisfarçada:
estou só e
com tal dor no
coração
que transforma em
lágrima quente
o dilema da mente
que busca a fuga
do problema


by cláudio bettega, em 27.11.2006

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Tem um...

.
..brilhante texto do Thadeu dedicado a mim no blog dele. Confiram.

http://www.polacodabarreirinha.blogspot.com
meus sonhos se espalham pelo sono
minha vida dorme sem dono
não sei quem sou nem o que vou ser
não sei o que quero nem o que vou querer
luto em busca do meu perdido amanhecer
busco a luta que me faz crescer
quero a paz e um momento de amplidão
quero você o amor o prazer o fogo o chão

by cláudio bettega, em 09/10.09.2005

quarta-feira, 28 de maio de 2008

A ausência, a falta pura, o medo;
o desenrolar das atitudes;
o borrar de idéias, o se contaminar
por falsas ilusões.
Tudo solto, perdido na mente,
marcando ritmicamente
ponto e contraponto.

Seus olhos refletem minha
degenerescência,
abençoando com lágrimas
meu difícil caminho.

Escuto vozes recônditas dos
velhos pesadelos,
e abraço o vento,
que me inunda de frescor e pó.

A luz, as almas, o criar;
a pena e o papiro, o dedo e a tecla;
o salto, o baque, o sentir, o pensar.
Tudo envolvendo e desenvolvendo
o mitigado, enfurecido e poético ato
de viver.


by cláudio bettega, em 11.01.1999

quarta-feira, 21 de maio de 2008

vou voltar... sei que ainda vou voltar...

do forno

vou aqui
escrever outro
poema
antes que minha verve
se esgote antes que o
mundo me trague me
cague ou me fure no cangote
vou aqui eu neste movimento de
poesia e sinfonia vou
aqui tentando tirar leite de
pedra brilho da treva vou aqui
querendo falar do
quanto te amo te venero
num mundo tão severo vou aqui
na luta (in)sana
na labuta sacana vou aqui
sendo qualquer um
não sendo mais nenhum
querendo a salvação pela
arte cheia de
emoção
blog seja bem vindo ao meu blog blog-me não se sinta ofendido por meus sentinelas eles são loucos como louco sou eu blog blog-me emblog-se ablog-se blog blog-me web log

SENTINELAS DA NOITE

Escondo do alcance dos seus curiosos olhos a escala dos sentinelas que vigiam meus segredos noturnos. Mas posso revelar-lhe que eles armam-se de espinhos e venenos – nunca armas de fogo, detesto-as, pois barulhentas. As defesas que agridem silenciosamente me são mais atraentes. E, também, além da rusticidade, espinhos – vários ! – e venenos têm um quê de teor sádico que me deixa excitado.
Então. Guardo-me assim à noite. Nada de estranhos querendo saber dos meus segredos, nem de estranhos querendo saber a respeito de quem guarda meus segredos. Acho o cúmulo ter que ficar dando satisfações das minhas coisas a certos parasitas doidivanas.
Quanto a qualquer crime que meus sentinelas possam vir a cometer com o uso, mais do que justo, das armas já citadas – paciência! Crime maior, aos olhos do meu julgamento e escala de ilibados valores, é a desmedida intromissão em vida alheia.
Morreu, compra-se caixão, chama-se a família, faz-se o velório, enterra-se. Aqui jaz uma pessoa extremamente inconveniente; passou a vida preocupando-se com a das outras pessoas e esqueceu-se de vivê-la. Na missa de sétimo dia, reza-se um Pai Nosso e pronto. A alma está limpa. Tanto a da criatura curiosa, quanto a minha que, através de sentinelas e espinhos e venenos, por uma causa nobre de defesa de segredos noturnos, cometeu pequeno crime.


by cláudio bettega, em tempos idos

terça-feira, 20 de maio de 2008

meu peito grita
nosso amor
não é mera fita
quero te ter
beber
comer
te tragar
me inebriar
com tua presença
e na tua ausência
vou me desesperar
por esperar
o corpo teu
aqui ao meu lado
como tenho agora
quando choras
de emoção
por também me ter
me beber comer enternecer
a madrugada
se desfaz num grito
de um sol bonito
quente e terno
seja no verão
ou no inverno
nós dois juntos
misturamos estações
viajamos por várias
constelações
nos jogamos em
todas as direções
em todas as
emoções
nosso amor
nos faz ser um
não nos permite
sofrer mal algum


by cláudio bettega, em 11.07.2005



segunda-feira, 19 de maio de 2008

Abro todas as janelas
que me ofereçam você na paisagem
quero te ver no campo
na cidade
na miragem
Empreendo todas as estratégias
que te façam cair na minha rede
por você sinto amor
fome
sede
Te dou de presente meu eu
pra você me amar como eu te amo
pra você ser minha
como sou teu

by cláudio bettega, em 20.07.2005

quinta-feira, 15 de maio de 2008

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Hai-Kláudios

O Hai-Kai é um poema japonês de 3 versos, 5 sílabas no primeiro e terceiro e 7 no segundo. Normalmente é filosófico, e se exercita com o zen. Ainda não tive oportunidade de fazer oficina, uma vez até tentei com a Alice Ruiz, mas não houve pessoas suficientes para a turma. No Brasil se popularizou muito, e quaisquer 3 versos - e até 4 - o pessoal chama de hai-kai. Por isso chamo também os aí de baixo, mesmo que sem métrica e filosofia zen.


paz, incenso, palavras
noite de estrelas
avião sem asas


brutos mundo afora
armas e guerras
a vida chora


televisão na cara
os olhos ardem
a cabeça vaza


idéia nova
forma um poema
sem rima e métrica


california dreams
lighting my fire
in the summer


verdade crua
na tua religião
o bispo te suga


pepino ralado do dia
acho que prefiro
a barriga vazia


preto e branco
esse filme
cheio de encanto


morto o dia
ainda assim
repleto de poesia

segunda-feira, 12 de maio de 2008

michael do coxa convidou os palmeirenses pro baile. por que o valdívia e o denílson podem, e os coxas não? ãh? e a imprensa paulista , quando elogiou, falou que é ex-guaratinguetá. ô sina de estado arrabalde a nossa!!!!!

quinta-feira, 8 de maio de 2008

coitadinho do José Agrippino ...

domingo, 4 de maio de 2008

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Espalhou-se pela noite e pisou seus passos por terrenos esparsos. Soltou o grito das perdidas aflições e perdeu-se por entre as cachaças dos mendigos. Rendidos, seus olhos admiraram as luminárias escuras e as putas ordinárias. Entrou pela primeira porta de bar que encontrou e devagar no balcão se sentou. Pediu uma cerveja gelada e logo viu uma loira delgada. Puxou um papo amigo e seu lábio no lábio dela pediu abrigo. Enxugou o último gole e saiu pela calçada abraçado à misteriosa mulher e à quente madrugada. Ou vice-versa.

by cláudio bettega, em 10.01.2007



quarta-feira, 30 de abril de 2008

Ah, poeta!
de que vale ser
poeta num
mundo cheio de pessoas
com alma que
apenas
escorre pelas
frestas
do pavor
pelo vulto
insepulto
do perdido vácuo
em constante inércia...
Ah, poeta!
o que queres
fazer com tua
poesia
se só te
defrontas com a
realidade vazia
da ignorância mais
crassa
que apenas
embaça
a tua possibilidade
de até mesmo
tirar lucro
a partir de
versos que chamas de
precioso invento
mas ouves quase sempre
ser algo
sem senso...
Ah, poeta!
proclamas tua
benção perdida
pela perdida noite
de mendigos bêbedos
invades os bares
choras todos os
pilares que não
te sustentam
pesado ser de idéias
airadas
que se querem
densas
sedentas
por ser o manifesto
que manifesta
tua dor
escondida
incapaz
de receber
acolhida
em alguma
esquina...
Ah, poeta!
ainda ousas
em momento pedante
achar-te a
cereja do bolo
e não percebes,
errante,
que o bolo
é podre e
tua cereja afunda
na profunda
impureza...
Ah, poeta!
crês que és
elite
do pensamento elaborado
mas és apenas uma
rima em semente
que não germina
e essa realidade
lançada
qual cuspe
à tua cara
nunca termina mas
insistes
na lida...
Ah, poeta!
por que não
desistes???

by cláudio bettega deprimido, em 04/05.08.2005


DOMINGÃO...


Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street

Falar de Tim Burton envolve sempre expressões como "bizarro", "soturno", "universo peculiar". E, de fato, elas são ditas com propriedade quando analisamos a cinematografia deste artista comtemporâneo, sobretudo se dissermos em relação ao "Demonìaco Barbeiro...". Apartado da felicidade por uma condenação injusta, o personagem muito bem criado por Johnny Depp torna-se um ser revoltado, guardando eu seus meandros psicológicos uma dor que se revela em violência, sadismo, indiferença. A fotografia da película é sublime, e o uso do claro/escuro das cores remete à expressão lá de cima, esfera "soturna". Claro, não podemos esquecer que trata-se de um musical, em que as músicas também tem um fraseado todo especial, ou "peculiar", como queiram.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Absurdo (de) Divertido



No delicioso texto de Os Psicólogos Não Choram, Enéas Lour se permite diversas brincadeiras. Brinca com a própria função de dramaturgo, brinca com a psicologia, brinca com os atores - o própio Enéas, Ranieri Gonzáles e Gilda Elisa - em cena (e suas próprias consagrações na profissão), brinca com o teatro do absurdo, brinca com o público. Faz o que exatamente o teatro é para quem nele trabalha: uma divertidíssima brincadeira.
Sem contar a brincadeira com o próprio teatro paranaense e (seu) (sua falta de) público. Afinal os atores estavam em cena para mais uma "pecinha local, em plena sexta-feira e ressaca pós-festival". Deu vontade de assistir à peça em todos os dias, para saber quais as brincadeiras de cada sessão.
Pelo que sei, a temporada terminava domingo passado. Mas cabe mais.

como pelas beiras
o alimento da
minha poesia
das minhas veias
escorre
sangue negro e
gelado
sou apenas
um perdido
um alienado
nutro o amor
bandido
pelo mundo
letrado
mas sou mais um
poeta
sem talento
pouco sei
inventar
aqui neste meu
movimento
acho melhor largar
a caneta
fechar o caderno
e me esconder
em algum
inferno


by cláudio bettega frustrado, em 17.07.2005


segunda-feira, 28 de abril de 2008

HITCHCOCK BLONDE no ACT




Se Terry Johnson, autor contemporâneo que tem produzido muito e ganhado vários prêmios na Inglaterra, dá mostras em seu texto Hitchcock Blonde que é possível pensar a dramaturgia teatral como cinema, Paulo Biscaia não o decepciona na direção. Usando recursos que se tornaram freqüentes em sua companhia Vigor Mortis (como tela vazada para projeção de vídeos que se misturam ao atores no palco), desta feita foi além e produziu um espetáculo que pode ser visto em planos diferentes de linguagem, exibindo os atores em palco como se estivessem realmente na tela de cinema.
Assisti à peça como se estivesse filmando os acontecimentos com meus olhos, já que a dinâmica de cena e a agilidade dos cortes na direção se uniram a um texto muito afeito a estas possibilidades. Interessante que, ao mesmo tempo em que vemos atuação cinematográfica e recursos de vídeo, o próprio texto fala sobre cinema, retratando uma perfeita metalinguagem.
O universo de Hitchcock emerge da história quando suas idiossincrasias de diretor perfeccionista e ao mesmo tempo reprimido em relação às emoções são revisitadas. E isso se dá tanto na narrativa em que um professor de cinema e sua aluna pesquisam rolos antigos de filmes quanto na própria interação de Alfred com uma pretendente à diva/atriz.
Interpretado por Édson Bueno, o professor de cinema Alex tem uma tara por sua aluna Nicola (Rafaella Marques) e deixa isso claro a ela, resultando daí relação mais que profissional entre ambos. Já Hitchcock (Chico Nogueira), reprime ao máximo seus desejos pela sua diva Blonde (Michelle Pucci , linda em cena), substituindo interesse carnal pelo máximo de apuro técnico em seus estudos.
Os diálogos passeiam por várias questões ligadas à essa repressão, cabendo a Nicola tergiversar sobre o que realmente importa, se a relação carnal e emocional ou apenas a existência intelectual, e se ambas não poderiam caminhar juntas. Ao mesmo tempo em que cede ao seu professor, discute com ele intelectualmente. Mas o que realmente lhe interessa é a emoção. Já o professor, embora tenha investido em sua aluninha e atingido o intento, tem muita curiosidade intelectual e quase segue os passos de Hitchcock para esquecer-se dos desejos e dedicar-se totalmente ao cinema.
A relação entre o mestre do suspense e sua atriz transcorre numa tensão extremamente delicada, em que Blonde se revela sensual e provocativa para Hitchcock empreender seus estudos fílmicos de luz, planos, análise de atuação etc, e o diretor, na dele (!), frio e sublimador.
A cena final, que o leitor pode conferir quando for ao ACT, simboliza e dá fechamento a toda essa riqueza de discussões.



HITCHCOK BLONDE
Quinta a domingo, 21 horas, mais esta semana, no ACT.

sábado, 26 de abril de 2008

Achei no...

... blog do Solda esse casal de atleticanos. Devem estar se anestesiando antes do atletiba para encarar a mágoa...

quinta-feira, 24 de abril de 2008

I want a great piece
of happiness
that makes the world
funny.
I want a great piece
of truth
that shows me
the right way.
and then,
when my spirit
is flying,
I just want a small piece
of love.


by cláudio bettega, um dia aí...
Quero ser um poeta tão filho da puta
mas tão filho da puta
que ache rimas perdidas
até em uma perdida
gruta
puta poeta filho da puta que
eu vou ser
acharei versos jogados
em qualquer entardecer
Mas o que vai mesmo me diferenciar
nesse mundo poético do criar
é uma rima ducaralho
que eu vou inventar
afinal qualquer poeta
em seu momento sublime de esteta
já escreveu um poema sensível e bonito
e ali rimou, cheio de faniquito,
“amor” com “dor”
O que eu quero é,
num momento de epifania,
escrever um poema esquisito
e nele rimar, com sabedoria,
“feijão” com “doce-de-leite”


by cRáudio bettega, em 21.07.2005

quarta-feira, 16 de abril de 2008

estou na lan
pensando no amanhã...

peraí crláudio, você já fez essa porra de rima antes

oH, so sorry
de vovo, como diz minha sobrinha-afilhada de quase trê anos!

estou aqui, no teclado,
tec tec
enquanto minha coluna faz
crec crec

crááááááudiuuuuu, você já fez essa rima
no seu antigo blog
chfbinconcert


ééééé?


ééééé... :(


então tá, não vou rimar fácil...
tô aqui só
pra dizer
que essa vida é difícil
de fuder...


rimou fácil, bró... mas não tenho
como desdizer...

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Quero tua saliva
ativa
se misturando
à minha saliva
teu peito
em flor
encostado
a meu peito
Quero teu ácido
fervente
envolvendo
meu falo quente
teu cabelo
perfumado
escorrendo pelo
meu rosto suado
Quero teu gemido
ecoando
meu gemido
teu sentido
de prazer
num espasmo
desoprimido
Quero teu corpo
se fundindo
a meu corpo
no momento
do nosso orgasmo


by cláudio bettega safardana, em 10.01.2007