segunda-feira, 7 de setembro de 2009

grande pátria...


desimportante, em nenhum instante eu vou te trair...

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

repostagem urgente.

Resisti o quanto pude. Mas a dor da criação me impunha impulsionar a mera caneta barata no papel sem luz nem um teclado a comandá-lo. Qualquer erro, minha função "delete" será um risco por sobre a palavra errada. Fico aqui pensando no quão chato será depois digitar este texto. E torço para que ele muito não se estenda. Mas seria isso possível? É possível controlar o desejo de se perder em qualquer noite já perdida dentro de qualquer bar, qualquer antro, qualquer canto cheio de (des)encanto? Os olhos que perscrutam outros olhos embaçados, outros olhos perdidos, outros olhos sem função... O pulsar, o emitir, transgredir a fo(ô)rma de qualquer respiro sincopado... Sinopses de absurdos que brotam de argumentos tolos, arremedos de frases que se querem criativas mas não abandonam a origem obsoleta. Vai, caneta, vai. Tece a teia do enredo tosco, do regurgitar de vacuidades vocabulares. O mundo aí, em guerra e fome, e eu aqui, querendo que um poema um dia semeie a tempestade do amor à arte. A política em crise, a economia em crise, o homem em crise, e eu aqui. Estarei eu aqui em crise? Ou apenas derrubo o muro da paralisia para bem depor um sentimento roubado da minha própria alma encharcada de tédio? O quê vitamina a força do fraco? O quê enfraquece o eterno forte? Palavra e sorte, campo de flores amarelas que exalam um "perfume" podre, de carniça. Que flores são essas? Que cheiro é esse? Onde foram parar os jardins infantes que decoravam quadros e lembranças? Apetrechos ignóbeis, heranças vacilantes. Os sábios não querem mais participar da transformação, hoje quem assume o poder são os pústulas. Meus amigos finalmente assumiram o poder. E se tornaram inimigos, assumiram o tom de farinha azeda do mesmo saco. Vai, caneta, vai. Diga a que veio, preencha essas linhas de caderno barato. Caneta barata. Nem. Caneta brinde. Brindemos ao não. Brindemos ao nada. Brindemos ao mesmo. Brindemos ao sempre. A escória perdida, sem chegada, sem nem ponto de partida. As janelas virtuais pigmentadas por luz vomitando as escrotices de linguagem pútreda. O Brasil (inter)ligado na mesma cagação. E eu aqui. Interrompo meu quase dormir porque a caneta brinde me chamou. Chatuca. Agora tenho que ficar aqui, brincando de nada, em nada, pra nada. Um lapso, um flerte, um interregno dentro do cotidiano de cada ano. E vem ano, e se foram anos. 23horas25minutos. Há um livro na cabeceira. Há um travesseiro e uma coberta. E há o dia seguinte, que já já vai invadir meu mundo. Os passarinhos começarão a sinfonia do amanhecer. (Puta merda, esse clichê me doeu, mas não pude evitar). E a brisa orvalhada da manhã trará um novo respirar. (E o pior é que tem gente que escreve textos e textos só calcados nesses clichezões). Sim, e eu, não seria uma construção genética de clichês? Clichês incrustrados nas células, no DNA? Clichês sincré(ô)t(n)icos da psicosociologia humana? Vai-te, chato. Melhor mesmo pegar o livrinho - outro amontoado de clichês - e calar-te. E amanhã a grita continuará sendo pela mudança do modelo econômico e pelo excesso de desemprego Vai-te, chato. Cala-te e deita-te.

by bettega, uma noite aí...

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

palavras e rimas repetidas
me mantém
as emoções contidas
quero voltar
a compor versos insalubres
quero o molho apimentado do verso esticado
derramar este inconsciente que se faz presente
nessa nobre canetada
em qualquer próxima rodada
meus olhos se perdem em nuvens de suor/ vapor de calor
não quero repetir a dose da cerveja cara
quero o melhor porre – a poesia rara
a mente em virtude e compasso produtivo
sem nunca julgar o desvario proibido


by bettega, um dia aí...

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Texto da querida amiga Alice Springer

O pensamento não "entra", vive-se o pensar. É efêmero ou perene, depende da importância dada por quem pensa. É etéreo, mas pode virar realidade, depende de sua força. Mas dói. Consome. Liberta e aprisiona, pois quem raciocina não consegue viver como os outros, ser feliz com tanta injustiça... às vezes até tenta, mas não consegue se alienar; e sofre. É prisioneiro de sua lógica acutíssima e de seu humor negro. Muitas vezes é um pessimista ao ver dos outros; verdadeiramente, apenas enxerga as coisas de maneira mais clara, vê a verdade "nua e crua" (eu sei, isso é cliché...) e não se ilude. Racionaliza, sempre. Questiona. Insatisfaz-se...No entanto, esse sofrer tem de, no fim, valer à pena... as sementes do pensador hão de um dia florecer.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

a política nacional está me dando azia!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009



Você está com alguma dor? De que tipo? Vamos, diga logo. Diga aonde dói. Não tem coragem? Não mesmo? Pois o pessoal da Súbita Companhia de Teatro tem. E muita coragem, por sinal. Se a dor é só física, eles demonstram. Se é emocional, eles confessam. Seja uma dor repentina ou cotidiana... Em interpretações fortes em momentos intensos e líricos, com textos de criação coletiva durante o processo de montagem da peça, os vários tipos de dor, enfim, são abordados. Os corpos dos atores flutuam em planos altos, médios e baixos, em expressões que chegam até a driblar obstáculos. Tudo pra dizer aquilo que nós todos sentimos e muitos não tem coragem pra externar. Se dói, vou ao shopping, tomo remédios, grito, lamento, suspiro, choro, corro, danço... Porque dói mesmo estar conectado com tudo, o tempo todo. Porque dói viver.
A montagem marcou presença na temporada do Pé no Palco, ano passado, e no Festival de Curitiba , neste ano. Teve tanto gás que foi exibida mais uma vez, até ontem, no Espaço Dois. Só pude ver no sábado. E é ótimo poder ver pessoas queridas ganhando a cena teatral, com talento e muita, muita arte. E já espero nova temporada, pra ver de novo e chorar junto com a coragem de artistas de mostrarem o que muitos querem esconder. Esta, aliás, é uma das muitas funções do teatro.


Diga aonde dói – Súbita Companhia de Teatro

Direção:Maíra Lour
Produção: Daniel Kleiber
Atuação:Sol Faganello
Janaína Matter
Juliana Adur
Alexandre Zampier
Otávio Linhares

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Meu amor...
Por que esse inverno em teus olhinhos tão lindos?
Abra a janela e veja o
céu azul de Curitiba hoje...
Sabe que até gosto desse friozinho?
Legal pra tomar um café, ler o jornal,
laborar a labuta,
protestar contra aquele senado filho da puta...
Lembrar de como foi bom ontem meu
ato transgressor, pensar em
como é bom ser
este ator...
Esqueço até da minha artrose, da neurose e da
porca psicose...
Meus gemidos hoje são de paixão, de vida,
de sangue em combustão,
de poesia, de alegria, de sonhos em
profusão.
Venha comigo!
Te passo todo esse calor por osmose:
teus poros vão respirar, teus olhos enfim brilhar
e eu vou ganhar uma alforria
pra matar a autofagia.



by cláudio bettega, em 13.07.2009

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Vocês viram, vocês viram?
O PT apóia aquele cara,
isso, aquele com bigode de bombril
que já fodeu de monte com o Brasil –
puta que o pariu!!!
O que falta mais nessa política escrota
onde qualquer ideal nobre se esgota
em troca de um bom ardil?
Os homens decentes se esconderam,
se mostrarem sua honestidade
serão logo chamados de ingênuos
por aqueles que se venderam.
Veja bem, da próxima vez,
onde enfiar seu dedo
na urna eletrônica.
Confesso, tô pensando seriamente
em anular meu voto pra
ser mais prudente.
Essa nossa política deixou
há muito de ser
algo sério,
tá mais parecendo
uma ópera cômica,
onde qualquer pelego
pode ganhar um ministério.
Olha que, daqui a pouco,
o sertão vai virar mar
e o mar vai virar sertão –
se até Brasília, que era seca pra danar,
virou um mar de merda e lama,
por que duvidar que água
pode virar chama?



by bettega, em 02.07.2009

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Faça poesia
faça essa arte
seja aqui
ou em marte
produza poemas
cheios de rimas
ricas ou pobres
cheirando a ouro, prata
ou cobre
se preferir
verseje brancamente
o importante
é que você me oriente
pelos veios e veias
desse mundo
através das palavras
e idéias
que eu persiga
e digira
arte encantada
que a inteligência admira

by cláudio bettega, em 26.09.2002

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Análise do Navarro

POR TRÁS TODO MUNDO É IGUAL
(Análise de Peça do Festival de Teatro de Curitiba – 2009)

Por Trás Todo Mundo é Igual é uma bem humorada atualização de alguns mitos que, desde tempos imemoriais, vêm enlevando os espectadores por este mundo afora. Conforme o prospecto de apresentação, “são onze mitos encenados de acordo com a criatividade dos atores, que tiveram a liberdade para formularem suas cenas. O objetivo foi redimensionar a característica do mito para a existência contemporânea e diária do homem – cada ator pesquisou ao extremo seu mito, tentando avaliar como seria de fato uma figura mítica se comportando como um ser 'normal'.” Os mitos presentes no espetáculo são: Electra, Eros e Psiquê, Prometeu, Ulisses, Orfeu, Ciclope e Cassandra, Narciso, Medusa e, finalmente, Baco.
Eu tive a oportunidade de assistir a este espetáculo duas vezes. A primeira, no final do ano de 2008, quando todas as turmas e grupos oriundos do Pé no Palco apresentam os seus trabalhos na temporada oficial daquela escola de teatro; a segunda, durante o Festival de Teatro de Curitiba, na sua edição de 2009.
O pessoal do grupo TODOMUNDONU, responsável pela montagem da peça esteve impecável, desde a recepção da platéia, em um átrio vazio, com os atores e o público, em roda, cantando o refrão com a letra do título; canto que não deixou de lembrar a mim o coro das antigas representações clássicas; até o final da apresentação, quando os presentes foram brindados com uma porção de um bom vinho tinto, traça de Baco.
A partir do canto inicial, os espectadores foram convidados a um passeio pelos diferentes espaços do Pé no Palco, aonde se desenrolavam as cenas respectivas a cada mito, assim confirmando as palavras da diretora do espaço, Fátima Ortiz, no texto de apresentação: “o trabalho do diretor e atores (...) passeia pelas possibilidades de estabelecimento de cumplicidade com o espectador e este pode mergulhar nas sensações e movimentos sendo ele próprio colocado ao centro da cena”. É deste centro móvel que, quem teve o privilégio de assistir a essa representação teatral, foi, a cada passo, sendo surpreendido pelo inusitado, pelo espanto e pelo estranhamento. Assim, na cena de Eros e Psiquê, que aconteceu no limiar entre o fora e o dentro do teatro. A platéia, acomodada em espaço coberto do teatro, viu a cena que teve seu início no pátio da churrascaria Paiol, a céu aberto, do outro lado da rua. E, depois, a aproximação, a cena acontecendo mais perto, no meio da rua, em meio ao trânsito dos veículos, na rua Conselheiro Dantas, no bairro Rebouças, em Curitiba, e, depois, ainda, na calçada, em frente à porta da garagem, em cujo interior estávamos, atentos, sentados. O passeio continuou, e os presentes viram Prometeu, amigo dos homens e mulheres mortais, revificá-los, tirando-os da sua inércia com o fogo roubado aos deuses; viram um absurdo Odisseu a embriagar-se na sua poltrona, ao lado de um ator pendurado em cordas no limite de passagem entre a pista e o palco, numa alusão ao deus ex machina das antigas tragédias. Subimos as escadas para um segundo pavimento, um mezanino pertencente à estrutura do lugar. E, dali, vimos, por sobre o vão da pista, vazia, embaixo, emoldurada na janela de vidro, acima, na parede do outro lado, a hilária atualização do mito de Narciso, representado pela mesma dupla que fez Eros e Psiquê. Eros, agora Narciso, levado pelo seu ego a experimentar calcinhas femininas, é flagrado pela sua noiva no instante em que vestia essa peça íntima do seu vestuário. A sua reação foi imediata: ao repelir seu companheiro com bolsadas, arrancou os vivos risos da platéia.
Assim durante todo o percurso, em cada passagem uma surpresa, uma emoção diferente. Se, no alto presenciamos o desenrolar do mito de Narciso; do alto vimos, embaixo, Ciclope e Cassandra e os trabalhadores pegando no pesado. Ponto culminante, no meu ponto de vista, foi o convite para espiarmos por uma fresta na parede, as bundas nuas dos atores perfilados. Entre o riso e o espanto, a tirada de conclusão como uma dúvida: por trás todo mundo é igual?
Mais do que a beleza dos movimentos corporais dos atores, o que ficou em meu pensamento foi o movimento das idéias e das formas que, desde os gregos mais antigos, foram perdendo os seu caráter religioso – mitológico – e assumindo a cada vez, o seu caráter de manifestação artística. Assim, o olhar atento do estudante de teatro, acompanha as modificações dos ditirambos e dos cantos fálicos ganhando ares trágicos em Ésquilo, aonde os mitos ainda têm o seu caráter solene; em Sófocles, que atenua o peso dos mitos e os substitui pelo destino inexorável do homem; depois, em Eurípedes que os humaniza totalmente, trazendo a força para o movimento brusco das paixões humanas. Ilustrando, dessa maneira, o conceito de Paideuma, que Leila Perrone-Moysés formula, ao refletir sobre os escritores modernos, desde então, cada autor que lida com os mitos, acrescenta, na sua lida teatral, uma diferença. Quem conta um conto acrescenta um ponto: dos deuses do Olimpo ao homem com os seus sentimentos. Do coro e corifeu para o corpo do ator/atores, até chegar na apresentação pós-moderna (porque fragmentária, com onze mitos numa única apresentação) de Por Trás Todo Mundo é Igual, provando que tais textos, apesar dos séculos que nos separam do tempo em que foram criados, ainda têm alma, ainda estão vivos e são capazes de enlevar os aficcionados por teatro por este mundão de Deus afora.
Viva o teatro! Viva a diferença!


Antônio Eduardo L. NAVARRO Lins.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

meus sonhos se espalham pelo sono
minha vida dorme sem dono
não sei quem sou nem o que vou ser
não sei o que quero nem o que vou querer
luto em busca do meu perdido amanhecer
busco a luta que me faz crescer
quero a paz e um momento de amplidão
quero você o amor o prazer o fogo o chão



by cláudio bettega, em 09/10.09.2005

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Folhinhas de calendário perdem-se
pelo tempo:
rasgam-se dias, meses, anos
e a história prossegue obtusa.
Testam-se bombas nucleares aqui,
invadem-se países ali,
morre-se de fome acolá...
A ampulheta não perdoa,
os corruptos não perdoam,
a corrosão não perdoa.
A bandeira jovem do ideal
é vista com sarcasmo
pelo “maduro” chefe do esquema,
esperto em seu estratagema
marginal
que abole a força
da filosofia e
da poesia.
Governar é garantir a si e aos seus
a melhor parte
pelo malandro escuso
cheio de arte.
Pelas veredas
os homens se desencontram,
a vida se desapercebe,
a esperança se desengana...



by cláudio bettega, em 04.06.2009

terça-feira, 2 de junho de 2009

tentativa sonética

Sinto-te tão bela neste momento só nosso
Que não sei se me fazer também lindo posso
Quero sim te proporcionar alegria e prazer
Quero sim que me leves ao mais profundo viver

O amor nos é caro, a tristeza algo raro
O inebriante fulgor nos toca a pele
O cheiro da nossa paixão domina o ambiente
Não há nada de mal que nos interpele

Somos agora um, fundidos no sentimento
Que prova o nosso mais real contentamento
Ah, como te amo, ah como que quero


Tanto devoto-me a ti que extasiado berro
A maior graça que tenho na vida
Que é tua eterna e fiel acolhida



by cláudio bettega, em 28.12.2007

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Thadeu no Beto Batata




Thadeu polaco com novo livro. O lançamento acontece nesta sexta-feira (29), sábado (30) e domingo (31) no Original Beto Batata, na R. Prof. Brandão 678, em Curitiba. Será uma festa de polaco, com a tradicional duração de três dias.
Com um olho na filosofia e outro no fazer poético, o livro fala da vida. Com ritmo, oralidade e a bossa de humor que o autor possui. Ah, este livro vem com a assinatura de Saboro Nossuco, mais um alter ego de Thadeu.

terça-feira, 26 de maio de 2009

rabisquei idéias do poema abaixo semana passada. hoje formatei. e agora há pouco visitei o
polaco da barreirinha, e há uma letra do alexandre frança que fala sobre curitiba, suicidios... coincidência da chegada do frio?


minha gripe não é espanhola
não é suína
é suicida
minha gripe é urbana modelo
sonora
minha gripe é curitiba
cheia de movimento
por fora bela viola
por dentro pão bolorento
gélida cinza-escura imatura
desdenha dos poemas que lhe faço
me joga pra longe do meu passo
fere do coração o meu compasso
estica puxa arrebenta meu laço
trucida tritura minha maneira
de injetar seu sumo na veia
desliga meus neurônios na próxima esquina
buzina na periferia a chacina
esgarça a pútrida doutrina
vomitando em algum banho de piscina
a bebida dos bares da rotina
filha da puta desgraçada
te sinto tão deslocada
perdida esquecida mero arrabalde
fora dos eixos de tua voz sumida
poço de fel
toda batel
burra babel
que despreza este poema
no papel
conjugas o verbo do mel
mas chafurdas no esgoto sem céu
priorizas a aparência do véu
e destróis a colheita do amor
que te dedico cheio de torpor
mesmo assim não te esqueço
não sei se me mereces
ou se eu desolado te mereço
mas a ti sempre dirijo minhas preces
suportando tua autofagia
tentando alegrar tua pálida alegria
inventando inventar alguma poesia
escarrando no largo nossa azia
perseguindo na vida uma alforria

em 22/26.05.2009, by cláudio bettega

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Invado com um texto o contexto
d(i)(e)str(a)(u)ído, arremedo um verso desafinado para afinar minha loucura, faço brotar um orgasmo de uma visão tosca, inverto minha nota e pereço na frequência ignota. Meus olhos te procuram na primeira manhã fria de um verão escaldante, o horário do meu relógio se mantém uma hora atrás, fascínio e doçura no teu corpo escultura, tesão no meu ser e sentimento de se perder. No brilho da gota uma pálida oração, no encanto dos olhos uma ofuscada dimensão. Os sonhos se perderam quando amanheceu a realidade, a realidade é um sonho quando não se atinge a maturidade, um poema pra você meu querido amor irreal, mesmo que essa lamúria pareça meio sem sal.


by cláudio bettega, em 01.10.2004

segunda-feira, 18 de maio de 2009

vivo

http://www.youtube.com/watch?v=qLBbgVZ98YU

Ideologia

Ouço Cazuza
Ideologia
também quero
(pra) viver
quero ter
descobrir
conhecer
nada de bobagens
no papel
quero discursos longos
pra te esquecer
dizer tudo
pra amortecer
o que vive
vou ouvindo
ele canta
ele diz
no Cd
soube dizer
de viva voz
voz viva
como a morte
que o levou
flor assassinada


by cláudio bettega, em 23.02.2003

sexta-feira, 8 de maio de 2009

me espremo me gemo me tremo num tormento a todo momento me tento me invento meu ser é só desalento quero a paz quero a lua quero a rua quero você nua quero o bar quero a arte quero a parte feliz que mereço desconheço o viver macio me perco no vazio me sinto sem pavio sem chama só perdido em drama nem sei como é sentir leveza viver com a certeza de que tudo está no caminho certo meu passo é incerto
Mesa do Café do Teatro, 16.08.2005, by bettega


Desoprimida
a última lágrima
criativa
que me escorre
em poema
Ativada
a vontade de perpetuar
o choro/banho
de poesia
Aqui está o
momento gravado
ao findar
do dia



Teu seio
flor doce
perfume macio
a provocar
o latejo
do meu tesão
Teu beijo
sabor perpétuo
a abrir
meus canais
de emoção



mar de
felicidade
respirar teu ar
por toda a
eternidade



rasguei a
garganta
com um grito de
paixão
meu peito se
agiganta
com seu toque de
tesão
minha vida se
encanta
com seu
beijo/imensidão



escutei tua voz
perdida
gemida
oprimida
quero te curar
qualquer ferida
quero te ter
quero te ser
quero tua
Vida
me dá uma
chance
que te envolvo
num delírio
de romance



anexei
um arquivo
no teu recinto
acessei
um site
com meu pinto
te devassei
com um vírus
de amor
bem limpo



te apedrejei
com meu pecado
quente visão
pintei um quadro
tintas fortes
sem recato
delírio fescenino
de menino
perdido em telas
e palavras
um pobre bardo
a escrever um poema
saído do seu
retardo



Cala o bico,
poeta!!
Tira esse teu
brinco e
te remete à realidade
aqui da vida!!
Teu verso é
nada,
teu eu é nada,
tua luta
é nada!!
Pára de verter
versos inúteis
porque a palavra
aqui no real
é puramente
produto comercial!!
Deixa de te achar
invento
porque tua existência
é fora do tempo!!
Deixa de inventar
brincadeiras porque
a realidade aqui
não é lúdica!!
Lúnático inútil,
carta fora do
baralho, ficas aí
pensando que és
artista ducaralho...
Pobre ser,
nada és,
daqui a pouco
nem tostão terás
para vestir
teus pés!!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

POR TRÁS TODO MUNDO É IGUAL


No palco acontece
tudo o que a gente merece.
A criação é nossa matéria prima,
a interpretação nossa ourivesaria precisa.
Um bando de doidos a tomar café à luz da lua
driblam os carros no meio da rua.
Bundas, pipocas, beijos,
pedreiros e seus anseios...
Um velho nostálgico bebendo à (a) sua dor,
o fogo alcalino emanando seu ardor...
A faca que rasga o desvio,
o portal que se abre esguio...
O ególatra que quer se estuprar,
a noiva que quer (se) amar,
o rapaz que quer se libertar,
a mãe que quer aconchegar...
A moça que quer (se) conhecer,
a alma que quer prever,
mesmo sabendo de todo seu saber...
Um vinho, uma uva, um toque,
uma mancha vermelha a externar nossa paixão,
nada é limite pra nossa pulsão,
nada reprime nossa combustão...
O guru querido que nos tira da fôrma,
o público amigo que nos conforta...
Carregamos a sina de todo ator
– compor nosso caminho com muito amor.




by Cláudio Bettega, em 28.04.2009

quinta-feira, 23 de abril de 2009

não quero esgotar o manancial quero espremer todo o potencial verter rica lavra em pedra especial cometer a arte em atitude visceral quero o lodo quero o ouro todo quero a vida quero o espírito o palco o salto a espuma o corpo em pluma quero o momento a todo momento quero o invento que invento quero a poesia o teatro em todo e qualquer ato

by me, um dia desses aí...



quarta-feira, 22 de abril de 2009

eu tava lá
perdido

menino
quando você chegou
me deu a mão
eu tão caído
logo aceitei
e já te beijei
e então
tudo agora
é mais solidão
por que apareceu
se já ia logo
embora?



by cláudio bettega, em 07.01.2008

segunda-feira, 20 de abril de 2009

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Política é a arte de buscar problemas, encontrá-los, fazer um diagnóstico falso e aplicar depois os remédios equivocados.
Groucho Marx

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Uma dose de meia hora de teus beijos me embriagaria mais que qualquer porre de cachaça, me excitaria mais que qualquer trepada com qualquer Nicole Kidman. Quero teus lábios aquecendo e molhando os meus, quero teu carinho como meu principal deus. Desmancho um novelo de idéias puxando a ponta da linha com um olhar que te fulmine, te quero me dizendo “sou tua, me domine”. Te levo pro canto e te faço cair no pranto – lágrimas e soluços de tesão, teu corpo vibrando em combustão. Meu pulsar a te enfeitiçar, teu amor a me conquistar. Nossos humores se misturam em coquetel de paixão, nossos corpos se fundem e atingimos a imensidão.

by cláudio bettega, um dia aí...

quinta-feira, 9 de abril de 2009

É com talento que
se vence o
tempo,
produz-se o
invento,
mata-se a
pasmaceira e se
muda o
comportamento.
É com talento que
se sobe ao
palco,
seja ele real ou
metafórico,
seja para se encenar
um drama ou declamar
um poema eufórico.
É com talento que um
mambembe qualquer
vive, passa a ser
estrela e nos
transfere a
mambembice.
Foi com talento,
modéstia às favas, que
compus este breve
momento de poesia,
acabando com um
tormento na minha
cabeça, que nada tem de
vazia.



by cláudio bettega, em 03.05.2007

segunda-feira, 6 de abril de 2009

esse vento
que me venta
inventa
um novo
jeito
de eu ser
não é perfeito
mas arde no meu
peito
feito nova aurora
não me leva
a ir embora
e sim a continuar
a perseguir
o porvir
limpo e belo
sonho que fará elo
com a realidade
verdade
e sanidade



by cláudio bettega, em 08.11.2005

quarta-feira, 1 de abril de 2009

dou uma porrada
no tempo
me perco na madrugada
cheia de vento
não quero mais saber
das regras do
bem viver
quando a manhã
chegar
estarei ainda acordado
sem estar
quero uma cerveja
um beijo
um amor a me
iluminar
destituo qualquer
esquema podre
que me governe
quero a poesia
minh’alma ferve
jogo no lixo
as cascas do solfejo
prolixo
solto agora um
direto
pra derrubar qualquer
pensamento
metido a correto


by cláudio bettega, em 17.07.2005

quarta-feira, 25 de março de 2009

Normalidade é uma ilusão imbecil e estéril
(Oscar Wilde)

domingo, 22 de março de 2009

segunda-feira, 16 de março de 2009

quinta-feira, 12 de março de 2009

Meu querido amigo jornalista e ator Diogo Cavazotti assina hoje matéria na "Folha de Londrina" que versa sobre blogs, e cita o "Cláudio Bettega em Cena", inclusive colocando trecho de um poema que consta na página. Valeu Diogo, valeu "Folha de Londrina"!!!!!

domingo, 8 de março de 2009

Texto do Otávio

Quando entrei no Pé no Palco, uma das cenas que mais me fortaleceram a vontade agora eterna de fazer teatro, foi a do Otávio Linhares com a Sol Faganello, ambos interpretando o texto abaixo. Otávio é um grande ator, e como vemos, escritor-poeta.



Teatro: espaço de realizações. Realizar: perceber. Conceber a idéia de que há algo mais dentro de um mesmo espaço, de um ambiente, seja ele, físico, mental ou sentimental.
Lugar para percepção de idéias, de sentimentos, de fisicalidades.
Lugar para a recepção de idéias, de sentimentos, de fisicalidades.
Espaço para o simples jogo dialético do aprender e do ensinar. Espaço para viver.
Não há mais lugares para viver. Não há mais lugares para sentir.
O ser humano não sabe mais ser, humano.
Todo olhar se desvia; toda mão se fecha. Os corpos não mais se tocam!
Há um afastamento, um distanciamento, um alienamento das idéias, dos sentimentos, das fisicalidades.
Sinto uma necessidade, quase sonífera, de deixar o movimento embriagante de viver passar através do tempo.
O sonho, muitas vezes, nos transporta a lugares onde não existem dúvidas e, a embriaguez, constrói idéias e sentimentos que nos transportam da realidade física para o plano dos sonhos.
O encontro entre o sonho e o real é o lugar para onde viajam as imaginações, o sentir, o ser.
Costumou-se chamar este lugar de palco da vida; local das representações; espaço onde o homem encontra o homem para ser homem; antro de orgias.
Abreviou-se, simplesmente: Teatro.
Neste pequeno recinto a céu aberto, ou não; perambulante, ou não; com ou sem cenário, figurino ou música, há a evasão do tempo. Deixa-se de lado uma das maiores “conquistas” do homem: a construção do tempo. O tempo, em si, não existe. O homem o criou para poder se domar, para regrar o espaço, para tornar-se presa de si e não poder mais viver o mundo pelo mundo, mas, pelo tempo.
Nesta pequena ágora, atravessamos o espaço físico experimentando sensações, inventando formas de comunicação acientíficas e descobrindo, cada qual ao seu jeito, a humanidade a tanto perdida pelas civilizações.
Esqueça por um breve momento a teoria e a ciência, os teóricos e os cientistas, a positividade da vida moderna, e olhe para o chão onde pisa o ator. Sinta o cheiro deste lugar. Feche os olhos por um pequeno instante e veja aonde nos leva o prazer e o êxtase de pisar este solo sacro para os antigos e cultuado pelos novos.

Teatro: racionalidade e sentimento num mesmo espaço; controle e descontrole de emoções e abstração; psiquè e corpo em perfeita harmonia. Simples brincadeira. Lúdico e cúmplice; amante e amado; fogo e água; a demanda e a espera; o Diabo e cruz. Ator e platéia.
Daqui, cruzo olhar com inúmeros pares de sonhos e vejo a grande necessidade que brota de dentro do indivíduo de sentir melhor o mundo a sua volta, de não ter vergonha, de romper valores e limites, de não se limitar à vida.
Eu aprendi que o Teatro é a melhor representação da não-animalidade urbana do homem, ou seja, da sua animalidade natural, placentária, desprovida de quaisquer valores morais e éticos limítrofes que impeçam o seu desenvolvimento natural, enquanto tal.
Estar no palco é dar vida a crianças adormecidas.
Criança não vê em preto e branco, bidimensional, unilateral. Enxerga grande e gordo o mundo. Colorido.
Chuta poça d`água em dia de sol.
Na ponta do pé pula pra pegar o céu.
Guarda o infinito numa caixa de música, fecha os olhos e é... Criança / Teatro.
Acabado o espetáculo levamos para casa um pouco de cada coisa vista, ouvida e sentida, mas, também, deixamos sentimentos no ator que jogou com o público e ele, certamente, mudará a si próprio dentro do camarim retirando a maquiagem e voltando a ser, humano.
Neste palco muitos pés cresceram; neste palco muitas lágrimas secaram – de ator e de platéia; neste palco o Teatro foi apresentado a muitos pela primeira vez; neste palco muitos fincaram raízes para serem brasileiros; neste palco, vieram e foram; neste palco, prazer e dor; neste palco, desejo de terra e céu; neste palco, pé; neste pé, no palco.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Ser poeta não é ser um bêbado
de alma desajustada
Ser poeta não é ser um perdido
caído na calçada
Descubro a cada dia
que minha poesia
anda muito vazia
as rimas se repetem
os sentimentos são puro eu
um eu oprimido destituído
de qualquer mar hebreu
Minhas parcas leituras
não mais me preenchem
preciso pesquisar
experimentar
aprender
subverter
ler palavras, prosas, poemas
em quantidade mais industrial
pra depois produzir
algo um pouco mais especial
Derramar lamentos
bater a cabeça no muro
não me leva a nada
não me integra no mundo
batucar teclas incontinenti
rabiscar folhas
como único modus vivendi
nada disso inova
se não houver nova moda
Como já disse uma vez
minha vida se desfez
e minha sina
é merda de rima
mas a rima está vendida
a um marasmo escroto
que beira o esgoto
se não houver maturação
labuta
amplidão
nunca poderá haver saída
da eterna lamentação
Aqui mais um poema chato
de um poeta (?) barato
que busca na poesia
a força
a magia
mas que precisa ser mais sensato
pra dobrar uma nova esquina



by cláudio bettega, em 06.03.2009

quinta-feira, 5 de março de 2009

está aí o festival
vamos matar a pau
sonho perpétuo
ato no pedaço
luz vinda do espaço
ator engajado
público encantado
emoção no coração
peito, olhos, pulmão
memória afetiva
senso, luta, saliva
vamos sonhar bem alto
com nossos pés no palco.



by cláudio bettega - março/2009

quarta-feira, 4 de março de 2009

“Por Trás Todo Mundo é Igual - Fringe”

DIAS 20,21,23 e24 de MARÇO
SEXTA, SÁBADO, SEGUNDA E TERÇA
PÉ NO PALCO
Rua CONSELHEIRO DANTAS, 20
R$ 30,00 INTEIRA
R$ 15,00 MEIA



Os mitos greco-romanos e suas histórias permeiam há muito o imaginário do ser humano. Até mesmo Sigmund Freud utilizou-se de alguns deles para nominar em seus estudos determinados comportamentos de nossa mente. Pensando nisto, o grupo de teatro TODOMUNDONU trouxe alguns desses mitos para o Pé no Palco durante a temporada 2008 da escola, com a direção e supervisão de Alexandre Bonin, e foi uma das peças mais aplaudidas, com lotação máxima em todos os espetáculos (20 pessoas por apresentação). Foram destacados dez mitos de acordo com a criatividade dos atores, que tiveram liberdade para formularem suas cenas. O objetivo foi redimensionar a característica do mito para a existência contemporânea e diária do homem – cada ator pesquisou ao extremo seu mito, tentando avaliar como seria de fato uma figura mítica se comportando como um ser “normal”.Agora a o grupo parte para a mostra Fringe do Festival de Curitiba – 2009, carregando na bagagem a experiência de quem já tem três anos de vida e quase todos os seus integrantes profissionalizados, tendo também, inclusive, participado do festival em 2008 com montagem baseada na obra de João Gilberto Noll.



“O TEATRO É MEU PASTOR, A ARTE NÃO ME FALTARÁ”
cláudio bettega


"A única razão para o sucesso da vida na Terra é sua maleabilidade, ou seja, a sua capacidade inerente de se redefinir. Reinventar é uma necessidade humana e está diretamente ligada com a preservação da espécie. Reinventar o mundo através do teatro nos livra da mesmice, da padronização, do mundo estagnado. A vida é essencialmente resultado da criatividade anárquica com o desejo de harmonia."
fátima ortiz


"nEm A lOuCuRa Do AmOr / Da MaCoNhA dO pÓ / dO tAbAcO e Do ÁlCoOl / VaLe A lOuCuRa Do AtOr / QuAnDo AbRe-Se Em FlOr / SoB aS lUzEs Do PaLcO"
caetano veloso

Cascas do meu solo desprendem-se
do meu pé
enquanto escalo muro alheio
na busca de um amor,
um devaneio
Caio na tentativa, ferido pelos
cacos de vidro da proteção do mundo diverso
Volto a ficar imerso
na solidão do meu território
eterno, nada transitório
Pertenço ao mundo dos sós
sem conseguir desatar meus nós
Inundo-me nas minhas próprias lágrimas
e fico a escrever as páginas
dos poemas sem razão
sem senso
sem direção
Sou um nada otário perdido a esmo
não consigo nem ser eu mesmo


by cláudio bettega, em 16.10.2006

segunda-feira, 2 de março de 2009

Poema da querida amiga Sílvia Zyla


Eis o que se anunciou:
Em meio a devoluções
Devolva minhas lágrimas.

Escrevi ontem, noite mal dormida
evidências de um fim.

Flores já quase sem cor
o aquário vazio
devolva-me as chaves.

Lágrima doce
saudades de ti
amor tão intenso.

Quantas palavras
língua maldita
aquece-me o tempo.

Procuro a saída
direita esquerda
seta alada.

Trancado em um lenço
silêncio de mártir
quase me esqueço
a senha do medo.

Manhã de setembro
gosto de café
sonhos tremendo
inverno sem frio.

Mentira morna
desespero faz eco
lugar sem espaço.

Roupa de pregos
como deslizar na areia
calçadas de mágoa.

Voltar à mesma rua
de olhos fechados
pisando nos mesmos degrais.

Sono desperto
quem me chama
despertador calado.

Campos de vozes
consciência surda
tortura cega.

Como secar os olhos
debaixo da chuva
observador disperso.

Olhos que gritam
um dia roucos
abraços de hortelã.

Cansado
tango sem par
cai a última flor...