terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
FEITINHO HÁ POUCO
Mais uma manhã
me recebe
nesta louca loucura
que nos
persegue.
Vou então eu
perseguindo a vida,
sempre à procura de
boa acolhida.
Que seja lindo
meu dia quente,
quero chegar
puro e decente
ao cair da noite e
refulgir do luar.
E quando deitado,
inebriado pelo sono,
esperarei um sonho que
me ensine
a amar.
me recebe
nesta louca loucura
que nos
persegue.
Vou então eu
perseguindo a vida,
sempre à procura de
boa acolhida.
Que seja lindo
meu dia quente,
quero chegar
puro e decente
ao cair da noite e
refulgir do luar.
E quando deitado,
inebriado pelo sono,
esperarei um sonho que
me ensine
a amar.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Há an...
...alistas políticos que dizem que, agora que a democracia impera e que ambos já sabem como é ser governo e oposição, PSDB e PT estão muito próximos no matiz ideológico. Há até os que vão mais longe - dizem que ambos os partidos, juntos, poderiam ser o caminho para a bem governança e crescimento. Putz!!!! Imagina se esses caras se unem, assumem juntos e começam a distribuir cartões por todos os escalões do poder!!! Repito: quero o meu cartão pra gastar na Fnac!!!!
Há pouco...
...conversei comigo mesmo.
- Já leu Saramago?
- Não, mas tenho curiosidade. Tem gente que diz que é um mala.
- Também já ouvi isso, e também ainda não li. Tava a fins de ler Ensaio Sobre a Cegueira, o Meirelles tá filmando no exterior.
- Que Meirelles?
- Do Cidade de Deus.
- Cara, que legal, o cara chegou lá?
- Faz tempo. Não viu O Jardineiro Fiel? É dele.
- Ah, ouvi falar do filme , não vi e não sabia que era dele.
- Então, quero ler também O Evangelho Segundo Jesus Cristo, dizem que é o melhor do Saramago.
- Legal. Eu no momento tô lendo literatura pop, beatniks e Bukowskianos, e alguns poetas daqui e dali
- E tem escrevido?
- Quase nada, mas tenho que dar vazão de uma vez por todas à verve, desrepresar.
- Ainda tá com aquelas amarras, traumas, complexos?
- Tudo aquilo e muito mais.
- Já te disse, você só melhora quando for num centro espírita desenvolver tua mediunidade. E também quando começar a comer só alface
- É, você não é o único que diz isso. E quando fica repetindo, é mais mala que o Saramago.
INDEFINIÇÕES
Eu, a bem da verdade, não tinha mais muitas esperanças de poder, abertamente, confessar, confidenciar a Maria Alice todos os meus pecados mundanos acumulados em mais de trinta anos de existência urbana. Aliás, não sei se podemos chamar a vida de um sujeito metido a escritor que vive em uma esfera introspectiva e cheia de neuroses, propriamente de existência urbana. Mas foi uma existência, se não solta pelos bares e festas de Curitiba (apenas solta pelos seus calçadões, que meus passos, embora raros e distraídos, conhecem como ninguém), suficiente para produzir todos esses pecados que me inibem diante de Maria Alice.
Pecaminosa mesmo a minha existência; caseira, mas cheia de crueldades. Todas as palavras que eu dizia - berrava - tentando convencer as paredes de que eu era o máximo em matéria de entendimento da alma humana (que parecem ter sido absorvidas por essas mesmas paredes e, hoje em dia, são refletidas, já que tanto me golpeiam quando da minha solidão domiciliar) são de uma crueldade e empáfia absurdas.
Maria Alice merece alguém menos pedante, mais autêntico, mais experiente. Sinto que meu universo descompassado não se coaduna com seu dinamismo. De que adiantam poemas e contos jogados em uma gaveta que impressionam sua sensível natureza, se a crueza das existências humana e urbana me são tão distante a primeira, tão imprecisa a segunda, e me é tão torturante a somatória inevitável das duas.
O problema, também, é que ela se deixou muito envolver por esse meu ser meio alienado, embriagado por fantasias literárias, e pouco enxergou a sua própria necessidade de um relacionamento real, maduro, com alguém que possa lhe oferecer aquilo que todas as mulheres, ou pelo menos a imensa maioria delas, deseja: segurança.
E, agora, tenho vergonha de confidenciar a ela toda a minha loucura, meus pecados mundanos que ultrapassam o mero criar artístico, derramando-se em minha mente de forma a produzir pensamentos por vezes escatológicos, por vezes, diria eu, muito incomuns, meio que beirando a total falta de lucidez, daí advinda minha estranha compulsão por conversar com as paredes, ao invés de telefonar para alguém conhecido e soltar as insanidades em um bar, com um copo de chopp temperando a noite.
Conversar com Maria Alice, hoje, é de uma dificuldade tremenda. Ela sempre me olha esperando comentários inteligentes (para ela) a respeito de algum livro ou algum filme, e eu não tenho como lhe dizer que não entendo nem de livros e nem de filmes, e que o que eu escrevo só tem valor estético para as traças do meu armário ou para aquele editor caquético que eu procurei e que gostou do meu “trabalho”. Já esgotei todo o meu arquivo mental de matérias jornalísticas que consumi das revistas especializadas, com as quais elaborava minhas impressões a respeito de certos assuntos que eu abordava nas nossas noites insones, deleitados pela única coisa na qual realmente combinamos, a capacidade de um dar prazer sexual ao outro.
Ah, se ela soubesse das minhas crueldades... Embora tenha eu toda essa auto-crítica em relação às peças literárias que minha mente produz, meus berros às paredes representam muito do que eu realmente sou. Grande parte dos fragmentos da minha vida são dominados por crises alucinadas de alguém que se acha “o incomparável”. E embora Maria Alice use sua sensibilidade para pensar também dessa forma, sempre tentando me agradar, não consigo enxergá-la como uma pessoa ilustrada, culta. Mesmo porque sei que estou distante das grandes inteligências.
Realmente muito estranha essa dicotomia em que vivo. Se lúcido, acho-me uma porcaria. Se tomado pelas alegorias inconscientes que se espraiam pela minha desprotegida mente, acho-me um grande homem, só comparável aos grandes mitos da história terrestre. São poucos os momentos como o presente, em que posso analisar friamente minhas idiossincrasias; em que posso concluir que, não obstante possuidor de uma certa tendência às artes literárias, não sou nenhum Joyce, nenhum Machado, nem um Pessoa.
Pois é. Não só não tenho coragem de revelar que passo muitos momentos fora de sintonia (já que os que ela presenciou não continham seu teor costumeiro), como também não quero magoá-la dizendo que tudo o que me liga a ela não passa de desejo sexual.
Às vezes penso que deveria haver alguma coisa nos seres humanos que revelasse aos outros, só pela aparência, o que se está pensando. Sei lá, se houvesse expressões faciais comuns a todos com diversos significados: “Te detesto”; “Porra, como você é chata e burra”; “Não gosto de você de verdade”; “Dá pra parar de me encher o saco?”; “Pombas, cala a boca e me deixa ver televisão”... Maria Alice seria informada dos meus pensamentos a respeito de sua burrice com um mero esticar de músculos faciais.
Mas é muito doloroso pensar em magoá-la, quanto mais exprimir de vez minha repulsa. E, se eu analisar bem, Maria Alice preenche meu tempo agradavelmente, mesmo que tenha lá sua insuficiência intelectual. Seria difícil encontrar uma mulher com todos os requisitos impostos pela minha forte e perfeccionista exigência, ou seja, alguém bela e sensível como Maria Alice, mas com uma inteligência que me faça navegar em mar brando, apaixonando-me. Uma mulher que não fique apenas embasbacada com o meu discorrer de idéias, que Maria Alice julga altamente erudito, mas que discuta e acrescente alguma coisa ao meu parco cabedal. (Essa modéstia toda e também a frequente mania de achar Maria Alice burra fazem parte da já citada dicotomia crônica que me persegue, julgando-me ora um bostinha, ora o máximo).
Difícil. Difícil chegar a um termo exato de atitude que simplesmente resgate do meu íntimo algo verdadeiro, equilibrado, definitivo. Difícil continuar percorrendo esta busca e julgando inferior alguém que me ama, tendo eu mesmo a dúvida sobre minha própria condição. E é desagradável também persistir com a mania de achar que tudo o que nos rege é a quantidade de inteligência ou, ao menos, conteúdo poético.
Ora, se Maria Alice parece-me burra, parece-me também muito sensível e dinâmica. Por que não tentar aprender com ela a ter essas qualidades (principalmente dinamismo, já que estou contente, pelo menos neste exato momento, com minha sensibilidade de estilista), e, de uma vez por todas, colocar-me aos outros e, principalmente, a mim mesmo como um profissional das letras? Por que não dar vazão a apenas um lado da minha dubiedade corrosiva e emergir definitivamente como um grande escritor-contemporâneo-pós-qualquer-merda que arrebata a crítica e a massa e que é o que há – assim como às vezes se acha – de melhor?
Aprender. Humildemente aprender com ela. Enxergar em Maria Alice alguém que me passe uma postura de auto-conhecimento. E tentar mostrar a ela, da melhor maneira que ela possa entender, alguém que sofre diante do desmazelo da própria consciência, que busca enfurecidamente por uma solução para incongruências causadas pelas suas deficiências. Enfim, mostrar-me de forma aberta e total.
Maria Alice, não é só sexo. Eu a amo.
by cláudio bettega, em tempos idos
Pecaminosa mesmo a minha existência; caseira, mas cheia de crueldades. Todas as palavras que eu dizia - berrava - tentando convencer as paredes de que eu era o máximo em matéria de entendimento da alma humana (que parecem ter sido absorvidas por essas mesmas paredes e, hoje em dia, são refletidas, já que tanto me golpeiam quando da minha solidão domiciliar) são de uma crueldade e empáfia absurdas.
Maria Alice merece alguém menos pedante, mais autêntico, mais experiente. Sinto que meu universo descompassado não se coaduna com seu dinamismo. De que adiantam poemas e contos jogados em uma gaveta que impressionam sua sensível natureza, se a crueza das existências humana e urbana me são tão distante a primeira, tão imprecisa a segunda, e me é tão torturante a somatória inevitável das duas.
O problema, também, é que ela se deixou muito envolver por esse meu ser meio alienado, embriagado por fantasias literárias, e pouco enxergou a sua própria necessidade de um relacionamento real, maduro, com alguém que possa lhe oferecer aquilo que todas as mulheres, ou pelo menos a imensa maioria delas, deseja: segurança.
E, agora, tenho vergonha de confidenciar a ela toda a minha loucura, meus pecados mundanos que ultrapassam o mero criar artístico, derramando-se em minha mente de forma a produzir pensamentos por vezes escatológicos, por vezes, diria eu, muito incomuns, meio que beirando a total falta de lucidez, daí advinda minha estranha compulsão por conversar com as paredes, ao invés de telefonar para alguém conhecido e soltar as insanidades em um bar, com um copo de chopp temperando a noite.
Conversar com Maria Alice, hoje, é de uma dificuldade tremenda. Ela sempre me olha esperando comentários inteligentes (para ela) a respeito de algum livro ou algum filme, e eu não tenho como lhe dizer que não entendo nem de livros e nem de filmes, e que o que eu escrevo só tem valor estético para as traças do meu armário ou para aquele editor caquético que eu procurei e que gostou do meu “trabalho”. Já esgotei todo o meu arquivo mental de matérias jornalísticas que consumi das revistas especializadas, com as quais elaborava minhas impressões a respeito de certos assuntos que eu abordava nas nossas noites insones, deleitados pela única coisa na qual realmente combinamos, a capacidade de um dar prazer sexual ao outro.
Ah, se ela soubesse das minhas crueldades... Embora tenha eu toda essa auto-crítica em relação às peças literárias que minha mente produz, meus berros às paredes representam muito do que eu realmente sou. Grande parte dos fragmentos da minha vida são dominados por crises alucinadas de alguém que se acha “o incomparável”. E embora Maria Alice use sua sensibilidade para pensar também dessa forma, sempre tentando me agradar, não consigo enxergá-la como uma pessoa ilustrada, culta. Mesmo porque sei que estou distante das grandes inteligências.
Realmente muito estranha essa dicotomia em que vivo. Se lúcido, acho-me uma porcaria. Se tomado pelas alegorias inconscientes que se espraiam pela minha desprotegida mente, acho-me um grande homem, só comparável aos grandes mitos da história terrestre. São poucos os momentos como o presente, em que posso analisar friamente minhas idiossincrasias; em que posso concluir que, não obstante possuidor de uma certa tendência às artes literárias, não sou nenhum Joyce, nenhum Machado, nem um Pessoa.
Pois é. Não só não tenho coragem de revelar que passo muitos momentos fora de sintonia (já que os que ela presenciou não continham seu teor costumeiro), como também não quero magoá-la dizendo que tudo o que me liga a ela não passa de desejo sexual.
Às vezes penso que deveria haver alguma coisa nos seres humanos que revelasse aos outros, só pela aparência, o que se está pensando. Sei lá, se houvesse expressões faciais comuns a todos com diversos significados: “Te detesto”; “Porra, como você é chata e burra”; “Não gosto de você de verdade”; “Dá pra parar de me encher o saco?”; “Pombas, cala a boca e me deixa ver televisão”... Maria Alice seria informada dos meus pensamentos a respeito de sua burrice com um mero esticar de músculos faciais.
Mas é muito doloroso pensar em magoá-la, quanto mais exprimir de vez minha repulsa. E, se eu analisar bem, Maria Alice preenche meu tempo agradavelmente, mesmo que tenha lá sua insuficiência intelectual. Seria difícil encontrar uma mulher com todos os requisitos impostos pela minha forte e perfeccionista exigência, ou seja, alguém bela e sensível como Maria Alice, mas com uma inteligência que me faça navegar em mar brando, apaixonando-me. Uma mulher que não fique apenas embasbacada com o meu discorrer de idéias, que Maria Alice julga altamente erudito, mas que discuta e acrescente alguma coisa ao meu parco cabedal. (Essa modéstia toda e também a frequente mania de achar Maria Alice burra fazem parte da já citada dicotomia crônica que me persegue, julgando-me ora um bostinha, ora o máximo).
Difícil. Difícil chegar a um termo exato de atitude que simplesmente resgate do meu íntimo algo verdadeiro, equilibrado, definitivo. Difícil continuar percorrendo esta busca e julgando inferior alguém que me ama, tendo eu mesmo a dúvida sobre minha própria condição. E é desagradável também persistir com a mania de achar que tudo o que nos rege é a quantidade de inteligência ou, ao menos, conteúdo poético.
Ora, se Maria Alice parece-me burra, parece-me também muito sensível e dinâmica. Por que não tentar aprender com ela a ter essas qualidades (principalmente dinamismo, já que estou contente, pelo menos neste exato momento, com minha sensibilidade de estilista), e, de uma vez por todas, colocar-me aos outros e, principalmente, a mim mesmo como um profissional das letras? Por que não dar vazão a apenas um lado da minha dubiedade corrosiva e emergir definitivamente como um grande escritor-contemporâneo-pós-qualquer-merda que arrebata a crítica e a massa e que é o que há – assim como às vezes se acha – de melhor?
Aprender. Humildemente aprender com ela. Enxergar em Maria Alice alguém que me passe uma postura de auto-conhecimento. E tentar mostrar a ela, da melhor maneira que ela possa entender, alguém que sofre diante do desmazelo da própria consciência, que busca enfurecidamente por uma solução para incongruências causadas pelas suas deficiências. Enfim, mostrar-me de forma aberta e total.
Maria Alice, não é só sexo. Eu a amo.
by cláudio bettega, em tempos idos
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
DO FORNO
Tórrido o
sol que me
esgota
escorcha
entardece
Suor gota a
gota
me umidece
Deito na rede
arranho a
parede
Um pouco de
água pra matar
a sede
by cláudio bettega, em 06.02.2008
sol que me
esgota
escorcha
entardece
Suor gota a
gota
me umidece
Deito na rede
arranho a
parede
Um pouco de
água pra matar
a sede
by cláudio bettega, em 06.02.2008
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Desmembro-me atônito do centro de gravidade que me imperra e faz-me um mais um quero voar na arte plena seja em forma de teatro pira poema navegar em mar agitado enfrentar com convés limpo velas erectas idéias provectas quero viver no pensamento cheio de embasamento um largo sorriso amigo abrigo contigo estou no lado de lá e de cá vamos juntos cauterizar feridas com baba de arte vamos aprofundar o mundo de que fazemos parte sorvê-lo num segundo criemos depois nosso mundo todo profundo sem restolho de objetivo imundo vamos encarar a expressão espalhar talento em alta dimensão verter sentimentos em pura inquietação.
by cb.
by cb.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Dispara teu grito,
poeta!
separa o joio do trigo –
difunde a palavra
linda e exata e
aborta a palavra
podre e bizarra.
Dá mãos à magia,
poeta!
cria tua poesia e
explode o mundo com a
mais forte alquimia.
Borbulha teu sangue,
poeta!
jorra qual vulcão
teu quente interior
inundado de sabedoria
e emoção.
Venera a arte,
poeta!
declama teu libelo
nos palcos e nas vias,
em manhãs quentes
ou noites frias.
Ama a vida,
poeta!
esteja vivo para sonhar
em mudar o mundo
com teu sentimento
fecundo.
by cláudio bettega, em 24.07.2005
poeta!
separa o joio do trigo –
difunde a palavra
linda e exata e
aborta a palavra
podre e bizarra.
Dá mãos à magia,
poeta!
cria tua poesia e
explode o mundo com a
mais forte alquimia.
Borbulha teu sangue,
poeta!
jorra qual vulcão
teu quente interior
inundado de sabedoria
e emoção.
Venera a arte,
poeta!
declama teu libelo
nos palcos e nas vias,
em manhãs quentes
ou noites frias.
Ama a vida,
poeta!
esteja vivo para sonhar
em mudar o mundo
com teu sentimento
fecundo.
by cláudio bettega, em 24.07.2005
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
O teatro pobre
No teatro pobre, o ator deve compor uma máscara orgânica, através dos seus músculos faciais; depois, a personagem usará a mesma expressão, através da peça inteira. Enquanto todo o corpo se move de acordo com as circunstâncias, a máscara permanece estática, numa expressão de desespero, sofrimento e indiferença. O ator multiplica-se numa espécie de ser híbrido, representando seu papel polifonicamente. As diferentes partes do seu corpo dão livre curso aos diferentes reflexos, que são muitas vezes contraditórios, enquanto a língua nega não apenas a voz, mas também os gestos e a mímica.
Todos os atores usam gestos, atitudes e ritmos extraídos da pantomima. Cada uma tem a sua silhueta própria, irrevogavelmente fixada. O resultado é uma despersonalização das personagens. Quando os traços individuais são removidos, os atores transformam-se em estereótipos das espécies.
Os mecanismos de expressão verbal foram consideravelmente aumentados, porque todos os meios de expressão vocal são usados, desde o confuso balbucio de uma criança muito pequena até a mais sofisticada declamação retórica. Ruídos inarticulados, rosnar de animais, suaves canções folclóricas, cantos litúrgicos, dialetos, declamação de poesia: tudo está aqui. Os sons são intercalados de uma forma complexa, que devolve à memória todas as espécies de linguagem. Estão misturados nessa nova Torre de Babel, no estrondo de pessoas e línguas estrangeiras que se encontram antes do seu extermínio.
A mistura de elementos incompatíveis, combinada com a distorção da linguagem, provoca reflexos elementares. Resíduos de sofisticação são justapostos a comportamentos animais. Meios de expressão “biológicos” são ligados a composições bastante convencionais.
Jerzy Grotowski
Todos os atores usam gestos, atitudes e ritmos extraídos da pantomima. Cada uma tem a sua silhueta própria, irrevogavelmente fixada. O resultado é uma despersonalização das personagens. Quando os traços individuais são removidos, os atores transformam-se em estereótipos das espécies.
Os mecanismos de expressão verbal foram consideravelmente aumentados, porque todos os meios de expressão vocal são usados, desde o confuso balbucio de uma criança muito pequena até a mais sofisticada declamação retórica. Ruídos inarticulados, rosnar de animais, suaves canções folclóricas, cantos litúrgicos, dialetos, declamação de poesia: tudo está aqui. Os sons são intercalados de uma forma complexa, que devolve à memória todas as espécies de linguagem. Estão misturados nessa nova Torre de Babel, no estrondo de pessoas e línguas estrangeiras que se encontram antes do seu extermínio.
A mistura de elementos incompatíveis, combinada com a distorção da linguagem, provoca reflexos elementares. Resíduos de sofisticação são justapostos a comportamentos animais. Meios de expressão “biológicos” são ligados a composições bastante convencionais.
Jerzy Grotowski
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Sobre política, do baú.
Revendo meus arquivos, achei esse texto meu dos tempos da polêmica do mensalão.
A ARTE DA BARGANHA
Enxergo a Política como uma arte. Ultimamente, estou lendo “A Política”, de Aristóteles, “A República”, de Platão, já li “O Príncipe” de Maquiavel há muito tempo, assim como “O Manifesto Comunista”, de Marx e Engels. Preciso ler “O Capital”, também de Marx, que, a despeito de ser uma crítica ácida e revolucionária ao capitalismo, é respeitado até pelos economistas de direita como uma análise precisa das relações sociais nesse sistema.
Como sou um ser de humanidades - estudo teatro, escrevo poemas, estudei comunicação – tenho obrigação de ler todas as obras importantes relacionadas à filosofia, à política e à sociologia. Confesso que comecei tarde – na faculdade tinha mais interesse em literatura, livros de comunicação, comerciais de televisão, filmes e jornais e revistas do que em ler obras fundamentais para o espírito humanista.
Pois então, dentro da minha parca aventura humanista nesta vida, e dentro do contexto atual de formação da sociedade, não vejo outro meio de desenvolvê-la se não pela política como arte. Eu falo da necessidade de teorizar as relações e depois humanizá-las e até espiritualizá-las. Hoje, acho que os governos deveriam ser compostos por profissionais de administração pública, sociologia, psicologia, direito etc, eivados de espírito político, e não apenas por políticos sem formação, que acreditam apenas nas conversas de bastidores.
Mas já que atuamos dentro do processo democrático de voto, elegendo as pessoas que nos governam, tenho que aceitar e analisar dentro desse processo. Pois bem: Fernando Henrique foi uma enorme decepção para mim. Apesar de não ter votado nele, esperava que o sociólogo de estirpe que é não fizesse apenas trabalho de base macroeconômico, favorável ao grande sistema, mas tivesse uma política social contundente.
E o PT foi a maior decepção política da minha vida. Um partido de base social e intelectual, agrupando prática sindical de peões com teóricos de universidade, que sempre discursou pela ética na política, de repente assume o poder e mimetiza-se dentro do corriqueiro do poder. Minha esperança de ver a arte da retórica social (mesmo que com os defeitos gramaticais do Lula, o que interessa aí é o conteúdo) ser transformada em ação, plantando o resultado de debates em busca da colheita na ação social, foi toda diluída por uma política suja e corrupta, igual às anteriores.
Concordo que todos os cidadãos devem participar politicamente para o progresso. A cada parafuso apertado, a cada cirurgia, a cada peça de teatro montada, a cada poema escrito, a cada defesa de réu, estamos agindo politicamente pela transformação. E devemos ir além. Eu, por exemplo, ainda sou apenas estudante de teatro, mas pretendo fazer no futuro ações voluntárias em hospitais de crianças, escrevendo e atuando em peças educativas e de diversão, para animar as crianças carentes e doentes.
Mas acho que isso só, o nosso lado, não basta. Precisamos de uma ordem política moralizada, gerida por governantes cônscios da necessidade do ideal, e não apenas da bravata. Ontem, vendo um pedaço do depoimento do Roberto Jefferson, me ficou claro que todos os políticos têm a consciência do processo todo carcomido, e mesmo assim se locupletam a partir dele, seja em doações de campanha ou em balcão de negócios no poder. Está ficando cada vez mais claro que o desejo dos que lá chegam é o de se perpetuar no poder não pelo prazer idealista de ajudar a sociedade a se transformar, mas pelo prazer de ter esse poder e receber mordomias.
Esperava, real e ingenuamente, que ex-guerrilheiros, ex-sindicalistas, acadêmicos etc tivessem senso de ideal para a mudança. Não, são mais do mesmo, são os novos meros artífices da arte da barganha.
A ARTE DA BARGANHA
Enxergo a Política como uma arte. Ultimamente, estou lendo “A Política”, de Aristóteles, “A República”, de Platão, já li “O Príncipe” de Maquiavel há muito tempo, assim como “O Manifesto Comunista”, de Marx e Engels. Preciso ler “O Capital”, também de Marx, que, a despeito de ser uma crítica ácida e revolucionária ao capitalismo, é respeitado até pelos economistas de direita como uma análise precisa das relações sociais nesse sistema.
Como sou um ser de humanidades - estudo teatro, escrevo poemas, estudei comunicação – tenho obrigação de ler todas as obras importantes relacionadas à filosofia, à política e à sociologia. Confesso que comecei tarde – na faculdade tinha mais interesse em literatura, livros de comunicação, comerciais de televisão, filmes e jornais e revistas do que em ler obras fundamentais para o espírito humanista.
Pois então, dentro da minha parca aventura humanista nesta vida, e dentro do contexto atual de formação da sociedade, não vejo outro meio de desenvolvê-la se não pela política como arte. Eu falo da necessidade de teorizar as relações e depois humanizá-las e até espiritualizá-las. Hoje, acho que os governos deveriam ser compostos por profissionais de administração pública, sociologia, psicologia, direito etc, eivados de espírito político, e não apenas por políticos sem formação, que acreditam apenas nas conversas de bastidores.
Mas já que atuamos dentro do processo democrático de voto, elegendo as pessoas que nos governam, tenho que aceitar e analisar dentro desse processo. Pois bem: Fernando Henrique foi uma enorme decepção para mim. Apesar de não ter votado nele, esperava que o sociólogo de estirpe que é não fizesse apenas trabalho de base macroeconômico, favorável ao grande sistema, mas tivesse uma política social contundente.
E o PT foi a maior decepção política da minha vida. Um partido de base social e intelectual, agrupando prática sindical de peões com teóricos de universidade, que sempre discursou pela ética na política, de repente assume o poder e mimetiza-se dentro do corriqueiro do poder. Minha esperança de ver a arte da retórica social (mesmo que com os defeitos gramaticais do Lula, o que interessa aí é o conteúdo) ser transformada em ação, plantando o resultado de debates em busca da colheita na ação social, foi toda diluída por uma política suja e corrupta, igual às anteriores.
Concordo que todos os cidadãos devem participar politicamente para o progresso. A cada parafuso apertado, a cada cirurgia, a cada peça de teatro montada, a cada poema escrito, a cada defesa de réu, estamos agindo politicamente pela transformação. E devemos ir além. Eu, por exemplo, ainda sou apenas estudante de teatro, mas pretendo fazer no futuro ações voluntárias em hospitais de crianças, escrevendo e atuando em peças educativas e de diversão, para animar as crianças carentes e doentes.
Mas acho que isso só, o nosso lado, não basta. Precisamos de uma ordem política moralizada, gerida por governantes cônscios da necessidade do ideal, e não apenas da bravata. Ontem, vendo um pedaço do depoimento do Roberto Jefferson, me ficou claro que todos os políticos têm a consciência do processo todo carcomido, e mesmo assim se locupletam a partir dele, seja em doações de campanha ou em balcão de negócios no poder. Está ficando cada vez mais claro que o desejo dos que lá chegam é o de se perpetuar no poder não pelo prazer idealista de ajudar a sociedade a se transformar, mas pelo prazer de ter esse poder e receber mordomias.
Esperava, real e ingenuamente, que ex-guerrilheiros, ex-sindicalistas, acadêmicos etc tivessem senso de ideal para a mudança. Não, são mais do mesmo, são os novos meros artífices da arte da barganha.
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Ai, que saudades do palco!!!!
DIONÍSIO – Nome grego de Baco.
DIONÍSIAS OU DIONISÍACAS – Festas em honra a Dionísio (Baco), o deus do vinho. Na Frígia e na Trácia eram caracterizadas por sacrifícios humanos e orgias. Na Grécia, embora o caráter orgíaco fosse conservado, a vítima era um animal. Dessas festas destacavam-se as Antesterias, onde se provava o vinho novo; as oscoforias, que acompanhavam a colheita. As Grandes Dionísias ou festas urbanas celebravam-se no mês de março e possuíam também caráter artístico. Nelas, além do canto e da dança, havia representação de cenas mitológicas da vida de Dionísio. A tais festas liga-se a origem da tragédia e da comédia. As pequenas Dionísias ou Dionisíacas Campestres eram comemoradas em dezembro, após a vindima.
BACANAIS – Festas romanas celebradas em honra de Baco. Embora não fossem iguais em todas as regiões, identificavam-se sempre pelo caráter orgíaco e pela presença de mulheres tomadas de delírio.
BACANTES – Seguidoras de Baco. Acompanhavam-no em suas viagens à Índia. Não eram sacerdotisas, mas ocupavam lugar de destaque na religião e no culto a esse deus. Empunhavam o tirso, espécie de lança enramada de hera. Cobertas apenas por peles de leão, celebravam as orgias com gritos e danças desnorteadas. Mergulhavam em êxtase ístico e adquiriam uma força prodigiosa, de qe muitos heróis foram vítimas. Também eram chamadas Mênades.
BACO - Nome latino de Dionísio. Deus do vinho e da embriaguez, da colheita e da fertilidade. Sua lenda é complexa porque reuniu elementos diversos, tomados da Grécia e de países vizinhos. Filho de Júpiter e Sêmeie, foi educado no vale de Nisa pelas Ninfas, segudo a tradição mais corrente. Já adulto, descobriu a vinha e seu uso. Enlouquecido por Juno, andou errante pelo Egito, pela Síria e pela Frigia, onde a deusa Cibele o iniciou em seu culto.
Em todos os países, ensinava aos homens o trato da videira e a fabricação do vinho. Fatigado de tantas viagens, voltou à Grécia e recuperou a sanidade graças a Cibele. Na Trácia foi mal recebido pelo rei Licurgo, a quem puniu severamente. Em seguida, chegou à Índia, país que conquistou pe;a força de suas armas e por seu poder místico. Montava um carro puxado por panteras e ornado de ramos de videiras e hera. Acompanhava-o um cortejo de Sátiros e Bacantes. Voltando à Beócia, introduziu em Tebas as Bacanais. Penteu, o rei da cidade, opôs-se ao seu culto e ele, como de costume, lançou mão do vinho para impor-se; embriagou as mulheres e levou-as a matar o soberano. Em Orcômeno, onde reinava Mínias, procurou convencer o povo a juntar-se à comitiva do vinho. As filhas do rei, Alcítoe, Arsipa e Leucípa, recusaram-se a acompanhá-lo e receberam atroz castigo. Quando andava por uma praia, Baco foi raptado por piratas, que acabaram transformados em delfins; só escapou Acetes, que se opusera ao plano dos companheiros. O deus dirigiu-se em seguida à ilha Naxos, onde esposou Ariadne. Por fim, adquiriu o direito de participar da assembléia olímpica. Desceu aos Infernos e recuperou Sêmele, levando-a para a comunidade divina com o nome de Tione. Os gregos consideram Baco protetor das belas-artes, em particular do teatro, originado nas representações que faziam por ocasião das festas em honra ao deus.
DIONÍSIAS OU DIONISÍACAS – Festas em honra a Dionísio (Baco), o deus do vinho. Na Frígia e na Trácia eram caracterizadas por sacrifícios humanos e orgias. Na Grécia, embora o caráter orgíaco fosse conservado, a vítima era um animal. Dessas festas destacavam-se as Antesterias, onde se provava o vinho novo; as oscoforias, que acompanhavam a colheita. As Grandes Dionísias ou festas urbanas celebravam-se no mês de março e possuíam também caráter artístico. Nelas, além do canto e da dança, havia representação de cenas mitológicas da vida de Dionísio. A tais festas liga-se a origem da tragédia e da comédia. As pequenas Dionísias ou Dionisíacas Campestres eram comemoradas em dezembro, após a vindima.
BACANAIS – Festas romanas celebradas em honra de Baco. Embora não fossem iguais em todas as regiões, identificavam-se sempre pelo caráter orgíaco e pela presença de mulheres tomadas de delírio.
BACANTES – Seguidoras de Baco. Acompanhavam-no em suas viagens à Índia. Não eram sacerdotisas, mas ocupavam lugar de destaque na religião e no culto a esse deus. Empunhavam o tirso, espécie de lança enramada de hera. Cobertas apenas por peles de leão, celebravam as orgias com gritos e danças desnorteadas. Mergulhavam em êxtase ístico e adquiriam uma força prodigiosa, de qe muitos heróis foram vítimas. Também eram chamadas Mênades.
BACO - Nome latino de Dionísio. Deus do vinho e da embriaguez, da colheita e da fertilidade. Sua lenda é complexa porque reuniu elementos diversos, tomados da Grécia e de países vizinhos. Filho de Júpiter e Sêmeie, foi educado no vale de Nisa pelas Ninfas, segudo a tradição mais corrente. Já adulto, descobriu a vinha e seu uso. Enlouquecido por Juno, andou errante pelo Egito, pela Síria e pela Frigia, onde a deusa Cibele o iniciou em seu culto.
Em todos os países, ensinava aos homens o trato da videira e a fabricação do vinho. Fatigado de tantas viagens, voltou à Grécia e recuperou a sanidade graças a Cibele. Na Trácia foi mal recebido pelo rei Licurgo, a quem puniu severamente. Em seguida, chegou à Índia, país que conquistou pe;a força de suas armas e por seu poder místico. Montava um carro puxado por panteras e ornado de ramos de videiras e hera. Acompanhava-o um cortejo de Sátiros e Bacantes. Voltando à Beócia, introduziu em Tebas as Bacanais. Penteu, o rei da cidade, opôs-se ao seu culto e ele, como de costume, lançou mão do vinho para impor-se; embriagou as mulheres e levou-as a matar o soberano. Em Orcômeno, onde reinava Mínias, procurou convencer o povo a juntar-se à comitiva do vinho. As filhas do rei, Alcítoe, Arsipa e Leucípa, recusaram-se a acompanhá-lo e receberam atroz castigo. Quando andava por uma praia, Baco foi raptado por piratas, que acabaram transformados em delfins; só escapou Acetes, que se opusera ao plano dos companheiros. O deus dirigiu-se em seguida à ilha Naxos, onde esposou Ariadne. Por fim, adquiriu o direito de participar da assembléia olímpica. Desceu aos Infernos e recuperou Sêmele, levando-a para a comunidade divina com o nome de Tione. Os gregos consideram Baco protetor das belas-artes, em particular do teatro, originado nas representações que faziam por ocasião das festas em honra ao deus.
Constantin Stanislavski
Stanislavski é um importante dramaturgo e teórico do teatro. Um pouco das palavras dele:
“ O ator vive, chora e ri em cena e, o tempo todo, está vigiando suas próprias lágrimas e sorrisos. É esta dupla função, este equilíbrio entre a vida e a atuação que faz sua arte.”
“Todo artista verdadeiro, enquanto estiver em cena, deve focalizar toda a concentração criadora unicamente no superobjetivo e na linha direta da ação, no seu sentido mais amplo e profundo. Se eles estiverem certos, tudo o mais será feito, subconscientemente, miraculosamente, pela natureza. Isto se dará sob a condição de que o ator recrie seu trabalho, cada vez que repetir o papel, com sinceridade, verdade e retidão. Só assim poderá sua arte livrar-se da atuação mecânica e estereotipada, dos truques e de todas as formas da artificialidade. Se o conseguir, terá ao seu redor, em cena, gente de verdade e vida verdadeira e uma arte viva, purificada de todos os elementos degradantes.”
“ O ator vive, chora e ri em cena e, o tempo todo, está vigiando suas próprias lágrimas e sorrisos. É esta dupla função, este equilíbrio entre a vida e a atuação que faz sua arte.”
“Todo artista verdadeiro, enquanto estiver em cena, deve focalizar toda a concentração criadora unicamente no superobjetivo e na linha direta da ação, no seu sentido mais amplo e profundo. Se eles estiverem certos, tudo o mais será feito, subconscientemente, miraculosamente, pela natureza. Isto se dará sob a condição de que o ator recrie seu trabalho, cada vez que repetir o papel, com sinceridade, verdade e retidão. Só assim poderá sua arte livrar-se da atuação mecânica e estereotipada, dos truques e de todas as formas da artificialidade. Se o conseguir, terá ao seu redor, em cena, gente de verdade e vida verdadeira e uma arte viva, purificada de todos os elementos degradantes.”
sábado, 19 de janeiro de 2008
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
by cláudio bettega, em 18.12.2004
Um mar revolto de rosas despetaladas me faz naufragar num sonho de algodão. O riso fácil da frase volátil e a descoberta da rima esperta. Fácil o agudo medo do medo de ser o que se é e o que o poeta quer. Meus olhos querem derramar as lágrimas que meu peito produz em combustão. Quanto mais quero o profundo mais me perco no raso imundo. Quando o homem atingir a liberdade o foco do ator será o grande chamariz. Reponho a falta do amor e carinho com angústia e depressão. Escrevo qualquer merda para refletir a minha perda. Perco qualquer perda para encontrar o meu abrigo. Quero você em beijos e muito sexo, mas também quero ser um grande amigo. Se a tarde anuncia um vento de descompromisso, é porque o bar está aberto e me espera. Se meu olho não te encontra, será que é porque você me desconsidera? Boa noite, texto bobo, boa noite, mundo tolo, bom dia, amor e fé, bom dia, doce mulher.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
by cláudio bettega, em 11.11.2002
Could you
show me
which way
I should
go by
could you
kiss me
give me
some light
could you
let me try
I don’t want
to fear
just
to bear
I don’t want
to cry
My dreams are
the same
I am just a
thinker
lost in the
sky
But you
can help me
just being
exactly what
you are
The world
never changes
but we
could spend
our lives
in pure air
The night
belongs to us
life longs for
our evidence
that love
is the most important
god
show me
which way
I should
go by
could you
kiss me
give me
some light
could you
let me try
I don’t want
to fear
just
to bear
I don’t want
to cry
My dreams are
the same
I am just a
thinker
lost in the
sky
But you
can help me
just being
exactly what
you are
The world
never changes
but we
could spend
our lives
in pure air
The night
belongs to us
life longs for
our evidence
that love
is the most important
god
REQUIÃO E A PARANÁ EDUCATIVA
A chamada “censura” imposta ao governador Roberto Requião pelo desembargador Edgard Lippmann Júnior, do TRF de Porto Alegre, parece-me fundamentada quando diz que uma rede pública não pode ser palanque de ataques do ocupante do cargo máximo de plantão. Podemos argumentar que realmente cheira a censura ditatorial. Mas não seria também uma forma de ditadura de Requião utilizar dinheiro público pra se promover, dizendo defender interesses do povo? Interesses do povo ou dele? Tomemos como exemplo a Tv Cultura, de São Paulo. É uma rede financiada com dinheiro do estado, mas nela não vemos palanque, vemos programas de alta qualidade, inclusive alguns infantis premiados internacionalmente pelo conteúdo pedagógico.
No Paraná temos problemas de espaço destinado a artistas locais, que poderiam abrilhantar a programação da rede pública com arte. Poderia se haver concorrências para melhores programas, até colocar um violãozinho com um poeta declamando já é mais conteúdo intelectual do que um governador perdendo as estribeiras. Não, não quero ser eu o poetinha, há vários na cidade de Curitiba e no estado inteiro, assim como há várias companhias teatrais alijadas da notoriedade do público paranaense.
Quanto a questões políticas, creio que o governador está certo ao chamar os adversários para o debate, embora use tons intimidatórios nos convites.
E se quer divulgar o saber político, seria mais interessante aulas de teoria com professores do que ficar chamando jornalistas de apedeutas. Sempre votei em Requião, mas ele anda me entediando...
No Paraná temos problemas de espaço destinado a artistas locais, que poderiam abrilhantar a programação da rede pública com arte. Poderia se haver concorrências para melhores programas, até colocar um violãozinho com um poeta declamando já é mais conteúdo intelectual do que um governador perdendo as estribeiras. Não, não quero ser eu o poetinha, há vários na cidade de Curitiba e no estado inteiro, assim como há várias companhias teatrais alijadas da notoriedade do público paranaense.
Quanto a questões políticas, creio que o governador está certo ao chamar os adversários para o debate, embora use tons intimidatórios nos convites.
E se quer divulgar o saber político, seria mais interessante aulas de teoria com professores do que ficar chamando jornalistas de apedeutas. Sempre votei em Requião, mas ele anda me entediando...
No Café do Teatro, em tempos idos
1.
um gole, uma cerveja,
um sentimento
meu momento é
de paixão
não consigo mais
dizer não
estou no bar, estou
em qualquer lugar
estou na vida
espero sua acolhida
2.
eu sonho, eu me
ponho na vida
te sinto
bela
mas você é minha
ferida
aquela que não
cicatrizou
porque você
me ignorou
3.
quero teu beijo
teu carinho
teu afago
quero um trago
de vinho
quero você
no meu ninho
4.
meu pau lateja
te deseja...
quero teu corpo,
teu líquido,
tua alma
mas me sinto insípido
5.
poderia eu te
elevar à altura
do prazer?
tudo bem...
me deixa tentar,
me deixa ser...
um gole, uma cerveja,
um sentimento
meu momento é
de paixão
não consigo mais
dizer não
estou no bar, estou
em qualquer lugar
estou na vida
espero sua acolhida
2.
eu sonho, eu me
ponho na vida
te sinto
bela
mas você é minha
ferida
aquela que não
cicatrizou
porque você
me ignorou
3.
quero teu beijo
teu carinho
teu afago
quero um trago
de vinho
quero você
no meu ninho
4.
meu pau lateja
te deseja...
quero teu corpo,
teu líquido,
tua alma
mas me sinto insípido
5.
poderia eu te
elevar à altura
do prazer?
tudo bem...
me deixa tentar,
me deixa ser...
sábado, 12 de janeiro de 2008
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
sábado, 29 de dezembro de 2007
será o último do ano???
Presto em poesia homenagem ao teu sabor
que me inebria, me leva ao êxtase, à embriagues total
como se eu tomasse gim em doses compulsivas
quase chegando ao estado letal
Amo-te a cada dia com mais fervor
que meu corpo agora depende do teu
para que minhas células fiquem vivas
e eu, ó entidade mágica!,
deixe de ser ateu
Quero para sempre nossa relação apaixonante
que nos provoca fagulhas rascantes
abrasivas fontes de mel e loucura
Quero sorver-te dos pés à cabeça
ver-te também do prazer à procura
até que meu coração estremeça
pulsando, ele bomba do sangue
que te serve de morada
sereia amada
by cláudio bettega, em 29.12.2007
que me inebria, me leva ao êxtase, à embriagues total
como se eu tomasse gim em doses compulsivas
quase chegando ao estado letal
Amo-te a cada dia com mais fervor
que meu corpo agora depende do teu
para que minhas células fiquem vivas
e eu, ó entidade mágica!,
deixe de ser ateu
Quero para sempre nossa relação apaixonante
que nos provoca fagulhas rascantes
abrasivas fontes de mel e loucura
Quero sorver-te dos pés à cabeça
ver-te também do prazer à procura
até que meu coração estremeça
pulsando, ele bomba do sangue
que te serve de morada
sereia amada
by cláudio bettega, em 29.12.2007
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
BLOG POLÍTICO
Quem lê meu blog sabe que de vez em vez arrisco-me a comentar política, gosto do assunto, de ler a respeito. Descobri, em andanças internéticas, o blo0g da jornalista Luciana Pombo. Muito interessante, o blog comenta a política paranaense, com mais ênfase, e a nacional. A Luciana tem uma resitência de esquerda com a qual me identifico, e julgo necessária. Passem lá. http://www.lucianapombo.blogspot.com
Do forno
Sinto-te tão bela neste momento só nosso
Que não sei se me fazer também lindo posso
Quero sim te proporcionar alegria e prazer
Quero sim que me leves ao mais profundo viver
O amor nos é caro, a tristeza algo raro
O inebriante fulgor nos toca a pele
O cheiro da nossa paixão domina o ambiente
Não há nada de mal que nos interpele
Somos agora um, fundidos no sentimento
Que prova o nosso mais real contentamento
Ah, como te amo, ah como que quero
Tanto devoto-me a ti que extasiado berro
A maior graça que tenho na vida
Que é tua eterna e fiel acolhida
em 28.12.2007, by cláudio bettega
Que não sei se me fazer também lindo posso
Quero sim te proporcionar alegria e prazer
Quero sim que me leves ao mais profundo viver
O amor nos é caro, a tristeza algo raro
O inebriante fulgor nos toca a pele
O cheiro da nossa paixão domina o ambiente
Não há nada de mal que nos interpele
Somos agora um, fundidos no sentimento
Que prova o nosso mais real contentamento
Ah, como te amo, ah como que quero
Tanto devoto-me a ti que extasiado berro
A maior graça que tenho na vida
Que é tua eterna e fiel acolhida
em 28.12.2007, by cláudio bettega
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
No mais, no mais...
..., vamos nós, então, virar o ano, refazer os planos, desejar que não haja perdas e danos. Vamos sonhar com o belo, reverenciar o que amamos, voar pelos ventos e sentir que lá chegamos. Queremos que nada seja menos, queremos a felicidade levada aos extremos. O altar das galáxias nos prende ao pedido de que venha o que nos baste sem nada ser carcomido. Eu, de minha parte, quero saúde, ela anda me faltando, a falta dela anda me emperrando. O resto, ah, o resto a gente inventa, a gente tenta conciliar, a gente tenta amaciar, correndo ou andando. Quero a arte, quero a leitura, quero a poesia e toda sua brandura. Quero também a prosa, quero também o teatro, quero poder caminhar com meu sapato. Sim, ficarei de molho, vou ali pro spa dar uma emagrecidinha e depois operar o pé. Mas vai dar ele, vai dar sim, minha história não chegou ao fim, tá só começando, ainda tenho muito pra no palco viver encenando. Sem contar os outros livros que ainda vou lançar. Sem contar que a imaginação me é farta e me leva a compulsiva criação. Feliz 2008, meu amor, que nada venha com pesadelo nem dor. Quer tudo seja lindo, e que teu sucesso seja sempre infindo.
Cláudio Bettega.
Cláudio Bettega.
sábado, 22 de dezembro de 2007
JINGLE BELLS
O natal aqui em casa ficou mais alegre. Tenho uma sobrinha-afilhada de dois anos, a Laura. Ela ainda tem medo de papai-noel, não fora isso eu me vestiria de velhinho. Imagine ela vendo o tio de Santa Claus, ia matar na hora quem estava em baixo das roupas, esperta como é. Pois é, minha responsabilidade aumentou, sou “padinho” de um docinho. E o natal vai ser legal, veja só. E o ano que vem também, e vários anos a seguir. Vamos então seguir a vida, imaginando sempre que ela pode ser mais alegre. De repente aparece alguma coisa nova, e ficamos mais felizes. Saúde, paz e prosperidade são de praxe desejar. Desejo então. E desejo muito mais. Pense na meia-noite do dia 24 pro 25 no nascimento do revolucionário que deu a data para a exploração comercial e religiosa. Pense nele como um cara legal, não apenas como um mártir pagador de pecados. Pense no espiritualismo, se você acredita em Kardec como eu. Se não, pense no que você quiser pensar, mas pense positivo. Pense puro. Pense autêntico. E torça pra que tudo seja sempre lindo. Pra você, pra todo mundo, até pro George W. Bush, tadinho, ele precisa. Feliz natal. Maravilhoso ano novo. Seu amigo Cláudio Bettega está sempre aqui. Beijos.
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
tudo o que penso
é no movimento
intenso
de um ato
de teatro
de uma cena
de cinema
mesmo que tenha de
viver
só com sanduíche
barato
minha vida
quer esse parto
que faz nascer
arte
difusa
confusa
profusa
assim ou assada
tudo bem
o importante
é ir além
carregar a dignidade
até com vaidade
se o for o caso
só não pode
haver atraso
nem pensamento raso
quero o palco
quero o set
quero muito
sempre embalado
por minha amiga
poesia
na alegria
ou na agonia
by cláudio bettega, em 06.12.2007
é no movimento
intenso
de um ato
de teatro
de uma cena
de cinema
mesmo que tenha de
viver
só com sanduíche
barato
minha vida
quer esse parto
que faz nascer
arte
difusa
confusa
profusa
assim ou assada
tudo bem
o importante
é ir além
carregar a dignidade
até com vaidade
se o for o caso
só não pode
haver atraso
nem pensamento raso
quero o palco
quero o set
quero muito
sempre embalado
por minha amiga
poesia
na alegria
ou na agonia
by cláudio bettega, em 06.12.2007
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Cláudio em Cena na Telona
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Matamos a pau nas últimas apresentações. Domingo tivemos a platéia mais receptiva que, com risadas, nos emanava mais energia para emanarmos mais magia teatral. Amo meus amigos do grupo TODOMUNDONÚ, que partirão com a peça para o fringe. Vou parar por uns tempos pra cuidar da sáude, preciso operar o pé como consequência de outra cirurgia mal feita, depois de tê-lo quebrado, preciso emagrecer, fortalecer o corpo.... Mas estarei em pensamento e alma com meus amigos, e devo voltar aos palcos no fim do ano que vem. Nesse período, estudarei muita teoria. Meus amigos são Aaron, Amaranta, Andressa, Débora, Ithamar, Júnior, Magali, Maíra, Mima, Ricardo, o diretor Alexandre Bonin e também Mauro Mueller, que escreveu essa pérola na sua coluna no site Altos Agitos.
EU APRENDO ESSE TEATRO
ONDE MENTIMOS DE VERDADE
FINGIMOS SEM MALDADE
BRINCAMOS COM O CORPO
JOGAMOS COM A MENTE
GRITAMOS DE LEVE AS PALAVRAS
EU APRENDO ESSE TEATRO
DA BOCA PARA DENTRO
DA ALMA PARA FORA
COMA AUTORIZAÇÃO DE DEUS
REMOVE PRECONCEITOS
REMOVE HISTÓRIAS
EVITA O ÓBVIO
LEVITA A MENTE
EU APRENDO ESSE TEATRO
QUE IMITA A ARTE DA VIDA
QUE IRRITA OS PALCOS
QUE PROVOCA AO MÁXIMO
VEJO O MUNDO
SEM VENDAR MINHA VIRTUDE
VENDO UM FUTURO
TENHO O TEATRO COMO ALMA
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
by cláudio bettega, em 10.08.1998
Cleidenarda saiu. Quis sair, então saiu. Talvez não devesse, quem sabe mesmo não pudesse, mas não adianta, quis sair, saiu. Saiu Cleidenarda, Cleidenarda saiu. Saiu e saiu, pronto. Assim, pelo portão, como todo mundo. De blusa, calça e sapato ela saiu. E quando saiu, assim, pelo portão, de blusa, calça e sapato, Cleidenarda foi em direção ao ponto de ônibus. Como todo mundo ela foi, caminhando, olhando em volta e tudo o mais. Foi. Saiu, passou pelo portão e foi ao ponto de ônibus. E quando lá chegou, ao ponto, depois de passar pelo portão vestindo blusa, calça e sapato e caminhar olhando em volta, Cleidenarda começou a esperar o ônibus. No ponto, Cleidenarda esperava o ônibus, ônibus desses grandes, com roda, motor e carroceria. Carroceria bem grande, porque o ônibus que Cleidenarda estava esperando, depois de sair pelo portão e caminhar até o ponto, era grande, bem grande, desses que carregam gente. Essa gente que vai no ônibus grande que Cleidenarda estava esperando no ponto, depois de sair pelo portão e caminhar, deve também sair, do mesmo jeito que Cleidenarda, passando pelo portão, de roupa e tudo. E depois deve caminhar olhando em volta e chegar ao ponto. Aí, quando chega ao ponto, todo mundo espera o ônibus e entra nele, onde cabe bastante gente, porque ele é bem grande. E todo mundo que entra no ônibus é gente, mas lá dentro vira gado, porque o motorista é grosso.
terça-feira, 20 de novembro de 2007
sábado e domingo detonei. detonamos todos. sábado bom público, domingo pouquíssimo. ontem, segunda, também pouco público. e, de acordo com nosso diretor, joguei meus textos fora. tava muito mal. mas estou felicíssimo por poder estar exercitando teatro nesse grupo lindo que é o TODOMUNDONÚ, duca em todos os aspectos. e merda pra nós, que sexta, sábado, domingo e segunda tem mais.
sábado, 17 de novembro de 2007
PUTZ!
Estréia. Textos deliciosos do João Gilberto Noll, 40 mini contos entrelaçados. Expectativa, pressão e... logo na minha primeira fala, caiu o sistema, cadê o texto, onde foi parar? Improvisar o que agora? Pendi a cabeça, sofri, retomei. Segunda fala: começou bem , dois textos colados e, no segundo... pô, de novo tilt?!, o texto, deletaram daqui? Abaixei a cabeça, me condoí comigo mesmo e continuei. Depois acertei tudo no resto da peça. Havia acontecido só uma vez, quando na montagem “Jesus Era Homem Por Isso Tinha Desejos”, de Treat Serpa, no Teatro Saltimbancos, festival de 2005. Mas na ocasião consegui improvisar bem, me safei. Participei de sete peças como ator estudante, fora quatro exercícios de meio de ano do Pé no Palco. Troquei palavras algumas vezes, esqueci outras, mas sistema cair assim... primeira vez. Espero, rara, não diria última, é mais normal do que o público pensa acontecer isso. Mas hoje tem mais, sempre é tempo de aprender e corrigir.
domingo, 4 de novembro de 2007
TODOMUNDONÚ EM CENA
Amigos, estarei no palco da escola Pé no Palco nos dias 16,17,18,19, 23, 24, 25 e 26 de novembro, ás 21 horas (segundas às 20 horas) com a peça "Mínimos, Múltiplos, Comuns". O grupo TODOMUNDONÚ, em que entrei neste ano, se debruçou sobre a obra homônima de João Gilberto Noll e, sob a direção de Alexandre Bonin, se preparou para mostrar fazer O espetáculo. TODOMUNDOLÁ!!!!!!!!
sábado, 3 de novembro de 2007
Aí está o site do Curitiba Literária, grande evento de literatura a começar segunda-feira na capital.
http://curitibaliteraria.multiply.com/
http://curitibaliteraria.multiply.com/
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
Beijo das Orquídeas

Fui novamente ver Beijo das Orquídeas, que já saiu de cartaz, mas, segundo projeto original, se transformará em filme em 2008. A peça é muito envolvente, com renovação de interesse constante. O texto metafórico das dramaturgas Priscylla Biasi e Virgínia Bosch é de um bom gosto incrível. Trata delicadamente de uma realidade dos anos 20 no Brasil, em que o preconceito e a ignorância querem esconder as verdadeiras mazelas do patriarcado nacional. O fazendeiro (Ibrahim Mansur) tem um filho fora do casamento (Ricardo Alberti, também cenógrafo), que é seu empregado na fazenda e gerado por uma empregada, seu outro filho é gay (Júnior Ventura e Ricardo Juchem), por isso odiado, e uma de suas filhas, aparentemente esquizofrênica (interpretada por Priscylla, que assina também a direção), é na verdade a sensibilidade em pessoa, tem visões espirituais e sofre abuso do noivo (Fábio Polak) da irmã (Andressa Bianchi) que a quer longe, internada em sanatórios. A esposa do fazendeiro (Kaká Hilgert) mantém um caso com o médico da família (Ithamar Kirshner). Completa ainda o elenco Débora Corrêa, que dá vida à empregada da sede da fazenda. A trama e suas nuances envolvem o espectador e o fazem pensar sobre a condição humana, por vezes podre, por vezes iluminada. A relação entre a história dos personagens e a flor Orquídea é um poema teatral muito bem costurado. Esperamos agora ansiosamente pelo filme.
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Escrevi isso no primeiro ano de aulas de teatro.
Desligo-me do real, busco agora o que há de fantasia no mais recôndito compartimento mental. Quero a alegoria, quero a alegria, quero a não-dor a todo custo, quero esquecer o passado torpe. Penso num gesto teatral, numa performance de movimentos e palavras em língua estranha - isso, o estranhamento, o absurdo, a desconstrução. Criar o não descritível, criar o total inaudito, criar o que pode ser feito a partir do nada, ou apenas a partir de mim mesmo, mas sem referências prévias. Criar o que o corpo e o espírito determinam. A essência do ser em busca do movimento único, que só ele pode determinar, que só o seu eu pode determinar. O indivíduo na esfera do nascimento da ação, do nascimento da inédita encenação. Fortes ou opacos, os movimentos nascem e querem cor e brandura, querem equilíbrio na sua desenvoltura. Força teatral, força da arte em estado total, anêmicos ventos de derrota se foram, vivem agora apenas flores e gestos que apaixonam.
Desligo-me do real, busco agora o que há de fantasia no mais recôndito compartimento mental. Quero a alegoria, quero a alegria, quero a não-dor a todo custo, quero esquecer o passado torpe. Penso num gesto teatral, numa performance de movimentos e palavras em língua estranha - isso, o estranhamento, o absurdo, a desconstrução. Criar o não descritível, criar o total inaudito, criar o que pode ser feito a partir do nada, ou apenas a partir de mim mesmo, mas sem referências prévias. Criar o que o corpo e o espírito determinam. A essência do ser em busca do movimento único, que só ele pode determinar, que só o seu eu pode determinar. O indivíduo na esfera do nascimento da ação, do nascimento da inédita encenação. Fortes ou opacos, os movimentos nascem e querem cor e brandura, querem equilíbrio na sua desenvoltura. Força teatral, força da arte em estado total, anêmicos ventos de derrota se foram, vivem agora apenas flores e gestos que apaixonam.
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
O Beijo das Orquídeas

Quando os verdadeiros loucos são os repressores. Quando a segregada é a sensibilidade em pessoa. Quando uma flor pode significar morte ou vida. Atuações bonitas de jovens atores. Direção precisa da jovem atriz e dramaturga Priscylla, que divide o texto com Virgínia. Cenário aconchegante do ator e arquiteto Ricardo. Metáforas, espíritos, poesia, teatro. No espaço 2, de quinta a domingo. Ontem foi a estréia, sábado irei novamente para poder tecer melhores comentários. Mas o que fica é: beleza.
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